O embaixador André Corrêa do Lago, presidente da COP30, divulgou nesta sexta-feira (29) sua sétima carta à comunidade internacional, na qual convoca o setor privado a assumir protagonismo na transição climática. O documento reforça a necessidade de unir esforços multilaterais para acelerar o Acordo de Paris, cujo objetivo é manter o aquecimento global bem abaixo de 2°C até o fim do século, com tentativas de limitar o aumento a 1,5°C.
A conferência será realizada em Belém, entre os dias 10 e 21 de novembro, e o embaixador reconheceu os “desafios logísticos” da capital paraense, mas destacou que o simbolismo da Amazônia é essencial para o debate.
“Construído com base em três décadas de cooperação global, este momento sinaliza não apenas um marco diplomático, mas uma oportunidade catalítica de negócios. Com base em COPs anteriores e no crescente envolvimento do setor privado, acredito que a COP30 pode ser o maior mercado mundial de soluções climáticas transformadoras, onde as empresas – juntamente com outras partes interessadas – podem moldar a futura economia global”, afirmou.
Amazônia como palco decisivo
Para Corrêa do Lago, a escolha de Belém tem caráter estratégico. “A Amazônia é um símbolo da urgência planetária e o lar de pessoas cujas vidas representam tanto a linha de frente da crise climática quanto o cerne de suas soluções (…) Essas conversas cruciais devem acontecer não apenas onde é fácil, mas onde mais importa. É aqui que a credibilidade é forjada e onde o compromisso se transforma em ação”, escreveu.
Apesar das dificuldades de infraestrutura, o presidente da COP30 classificou a participação empresarial em Belém como um chamado para “arregaçar as mangas, ouvir, aprender e participar do espírito colaborativo do Mutirão Global”.
Transição irreversível
Na carta, o embaixador ressaltou que líderes empresariais que anteciparam mudanças há décadas “prosperarão construindo resiliência e aproveitando as oportunidades excepcionais que a transição oferece”.
“Em um contexto de incerteza sistêmica, no qual a urgência climática interage com desafios geopolíticos e socioeconômicos crescentes, uma tendência é certa: a transição climática em curso é irreversível”, declarou.
Ele defendeu que a COP30 seja o “momento crucial para traduzir anos de compromissos climáticos em implementação real”, criando condições regulatórias, econômicas e sociais para que os objetivos do Acordo de Paris sejam aplicados tanto por governos quanto por empresas.
“O setor privado já acelerou a transição de muitas maneiras significativas; no entanto, deve agora dar um passo à frente, e não recuar, aumentando seu engajamento para tornar essa transformação uma realidade exponencial”, escreveu.
“Nova fase de ação”
Em entrevista coletiva sobre a publicação da carta, Corrêa do Lago enfatizou o papel crescente do empresariado:
— Quando estamos falando de soluções, não significa que estaremos vendendo-as como as corretas. Haverá trocas, inclusive com atores que não fazem parte da convenção. O setor privado pode ter um papel muito maior do que até alguns governos podem desejar. O que temos visto é que os setores, vendo oportunidades econômicas, podem fazer mais. Estamos vivendo uma nova fase de ação do setor privado, que antes atuava para pressionar governos para frear o que os prejudicaria.
O diplomata afirmou que é “natural em todos os países do mundo que os setores que entendem que podem perder sejam mais ativos”. Segundo ele, a intenção é criar uma dinâmica em que o setor privado atue motivado pelos ganhos potenciais da economia verde.
— A gente fala de um tema extremamente importante: a presença do setor privado na COP30. É um convite que participem de forma ativa da agenda de ação anunciada em uma carta anterior. Para uma COP ser de implementação, ela precisa ter ação e atores para além de apenas os Estados. Queremos dar uma atenção especial ao empresariado.
Corrêa do Lago também fez críticas à política energética do governo Donald Trump, que retirou os Estados Unidos do Acordo de Paris. A carta-convite enviada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para a participação de Trump na COP30, em Belém, ainda não foi respondida.






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