O príncipe Andrew, do Reino Unido, anunciou nesta sexta-feira (17) que renunciará oficialmente ao uso de seu título real e das honrarias que ainda mantinha, em meio à pressão crescente por causa de escândalos ligados ao financista americano Jeffrey Epstein. A informação foi divulgada com base em comunicados oficiais e fontes do Palácio de Buckingham.
“Não usarei mais meu título nem as honrarias que me foram concedidas”, declarou o filho da falecida rainha Elizabeth II em comunicado, afirmando que, embora negue todas as acusações, “as constantes alegações contra mim afetam o trabalho de Sua Majestade e da Família Real”.
A decisão, segundo analistas britânicos, representa o golpe mais severo até agora na trajetória pública de Andrew, que há anos tenta, sem sucesso, se desvincular do caso Epstein.
Pressão no Palácio e frustração com o duque
De acordo com o tabloide The Sun, membros seniores da Casa Real estão “frustrados” com a insistência do príncipe em permanecer sob os holofotes, mesmo após repetidas recomendações para que se afastasse da vida pública. A divulgação de e-mails recentes teria precipitado a decisão.
As mensagens mostram que Andrew escreveu a Epstein dizendo “estamos juntos nisso”, apenas três meses depois de afirmar publicamente que havia cortado laços com o financista. O conteúdo contradiz a famosa entrevista que o duque concedeu à BBC em 2019, quando disse ter encerrado qualquer contato com Epstein desde 2010.
Reações do rei e de William
A revelação reacendeu o debate dentro da monarquia sobre o futuro do príncipe. Fontes próximas à família afirmam que tanto o rei Charles III quanto o príncipe William defendem uma “resposta dura” para conter o desgaste. “Há uma janela de oportunidade para que ele faça a coisa certa e assuma a responsabilidade”, disse uma fonte ao The Sun.
Entre as medidas em estudo estão a retirada definitiva do título de Duque de York, sua exclusão da linha de sucessão ao trono e até a perda da residência oficial na Royal Lodge, em Windsor. Outra opção seria a renúncia à Ordem da Jarreteira, a mais alta honraria da cavalaria britânica.
O caso que nunca se encerra
Andrew foi acusado pela americana Virginia Giuffre de tê-la abusado sexualmente quando ela ainda era menor de idade, algo que o príncipe nega. O caso resultou em um acordo judicial milionário e no afastamento de Andrew de suas funções oficiais. Desde então, ele perdeu cargos militares e o direito de ser tratado como “Sua Alteza Real”, embora continue morando em uma das propriedades reais.
O escândalo, que já dura mais de 15 anos, ganhou novo fôlego com o lançamento das memórias de Giuffre, nas quais ela descreve o duque como “arrogante” e afirma que ele via o sexo com ela como um “direito de nascença”.
Monarquia sob desgaste público
Pesquisas recentes apontam que 67% dos britânicos apoiam a retirada completa dos títulos de Andrew — medida que dependeria de aprovação parlamentar. Para o Palácio de Buckingham, segundo fontes citadas pela imprensa britânica, apenas um gesto voluntário de renúncia e afastamento total do príncipe poderia pôr fim ao desgaste que ameaça a imagem da monarquia.






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