Em depoimento à Polícia Federal (PF), militares que integravam o Gabinete de Segurança Institucional (GSI) em 8 de janeiro apontaram falhas da Polícia Militar do Distrito Federal ao deixar que manifestantes chegassem ao prédio do Palácio do Planalto, que foi depredado pelos golpistas.
Segundo os militares, a instalação conta com um protocolo de segurança, chamado Plano Escudo, que prevê que a PM cuide das áreas externas do palácio, bloqueando ao máximo a passagem de manifestantes em áreas pré-determinadas, antes que o GSI entre em ação.
Esse protocolo, de acordo com o general Carlos Feitosa Rodrigues, estipula que “a PM possui papel relevante nas contenções, realizando bloqueio prévio nas avenidas e gramado que dão acesso ao Palácio do Planalto, chamadas de linhas branca e verde”, e que cabe ao GSI e a tropas do Exército fazer a segurança da calçada e das entradas da sede do Poder Executivo.
“O plano escudo pressupõe o prévio bloqueio e não é especificamente um plano de retomada, e sim um plano para impedir invasões ao Palácio do Planalto”, afirmou Feitosa sobre o protocolo.
O general é um dos nove militares que prestaram depoimento à PF no domingo, por ordem do ministro Alexandre de Moraes, após aparecerem em imagens do circuito interno de segurança do palácio, divulgadas na íntegra no fim de semana. Eles afirmaram que o GSI foi surpreendido pelo tamanho e pela violência dos atos golpistas.
No mesmo sentido, o coronel Wanderli Baptista da Silva Junior, que era Diretor Adjunto do Departamento de Segurança Presidencial do GSI desde novembro de 2022, se queixou da atuação da Polícia Militar — subordinada à Secretaria de Segurança Pública do DF, na ocasião comandada pelo ex-ministro da Justiça Anderson Torres.
Silva Junior afirmou entender que, “dentro da sistemática do ‘plano de escudo’, as duas linhas da PM deveriam ter bloqueado os manifestantes por mais tempo, proporcionando lapso para o acionamento de maior reforço de efetivo do Comando Militar do Planalto”.
As imagens das câmeras de segurança divulgadas no fim de semana mostraram um baixo efetivo da PM nos arredores do prédio no momento da invasão pelos golpistas.
Enquanto os manifestantes desciam para o Palácio do Planalto, era possível contar um grupo de cerca de 10 policiais formando um escudo no meio da via que dá acesso ao prédio. Em dez minutos, a entrada para o palácio ficou totalmente liberada para os golpistas.
O major do Exército José Eduardo Natale de Paula Pereira também relatou o número reduzido de policiais militares e foi além. Disse que viu um batalhão da PM próximo ao Planalto “não agir” contra os manifestantes.
“Que pôde avistar posteriormente nas imagens das câmeras que havia (por volta de 15:20) uma tropa da PM disponível na altura do mastro da bandeira e que não agiram”, diz a transcrição do depoimento do militar.
Do quarto andar do Planalto, o major disse ter avistado uma tropa de 10 PMs, que “considerou muito pequena”. Num dado momento, ele ainda disse ter questionado um comandante da PM sobre o envio de reforços, os quais haviam sido solicitados pelo GSI.
“Vocês são o meu reforço”, foi a resposta que o militar contou ter recebido do PM. Naquela altura, o GSI contava com cerca de 30 homens.
O major ganhou notoriedade com as filmagens por ter dado água mineral aos golpistas. A esse respeito, ele afirmou que o fez para evitar que o grupo danificasse a copa existente próximo à sala do presidente da República, no terceiro andar do prédio.
As informações são do Globo online.





