Em busca de reaproximação, Lula fará sua primeira visita a acampamento do MST neste governo

Com popularidade em queda, presidente tenta fortalecer laços com movimento que critica a lentidão nas entregas de reforma agrária

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) planeja visitar um acampamento do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) na próxima sexta-feira(7) em um momento crucial para sua gestão. A visita ocorrerá no Quilombo Campo Grande, localizado em Campo do Meio, no sul de Minas Gerais, e será a primeira desde o início de seu segundo mandato.

A expectativa é que cerca de 5.000 pessoas recebam o presidente no evento, que terá como foco a entrega de assentamentos, incluindo o próprio Quilombo Campo Grande, além do lançamento do programa Desenrola Rural, que visa facilitar a negociação de dívidas entre produtores rurais.

Lula tem intensificado suas tentativas de reaproximação com o MST desde o início de 2025, quando atravessa um momento de queda de popularidade. Além da visita programada, o presidente já havia se encontrado com líderes do movimento em janeiro e prometido visitar um acampamento ou assentamento.

Lula convidou líder do MST para posse do presidente do Uruguai

Em uma tentativa de reforçar os laços com o MST, Lula também convidou João Paulo Rodrigues, dirigente do movimento, para acompanhar a posse de Yamandú Orsi como presidente do Uruguai, no início deste mês.

Em paralelo, o movimento também celebra a nomeação de Gleisi Hoffmann para o cargo de ministra da Secretaria de Relações Institucionais, uma das principais interlocutoras do MST dentro do governo. No entanto, o MST segue cobrando um compromisso mais firme de Lula em relação à reforma agrária. Embora o Ministério do Desenvolvimento Agrário tenha afirmado ter assentado 71,4 mil famílias em 2024, o movimento contesta os números e insiste que 100 mil famílias ainda aguardam a regularização de suas terras.

Abril Vermelho gerou tensão entre Lula e MST

A visita do presidente ocorre em um momento estratégico, próximo da Jornada de Lutas das Mulheres Sem-Terra, que acontece em 8 de março, e do Abril Vermelho, período em que o MST costuma realizar mobilizações mais intensas, incluindo marchas e invasões de terras. A relação entre Lula e o MST sofreu tensões em 2023, especialmente durante o Abril Vermelho, após invasões de propriedades de empresas como Suzano e Embrapa, o que levou o governo a endurecer o tratamento ao movimento.

Embora Ceres Hadich, da direção nacional do MST, afirme que as entregas do governo ainda são “poucas e tardias”, ela reconhece que as ações, embora limitadas, possuem grande simbolismo, principalmente por se referirem a áreas que aguardam regularização há décadas. Ela espera que, durante a visita, Lula anuncie medidas mais robustas em prol da produção de alimentos e do incentivo à agroecologia e ao cooperativismo.

Historicamente, a relação de Lula com o MST tem sido marcada por altos e baixos, com momentos de aproximação em períodos de fragilidade política do presidente, como ocorreu durante sua prisão em 2018.

Com informações da Folha de S.Paulo

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