“Você pagou com traição a quem sempre te deu a mão”. O conhecido verso do samba “Vou festejar”, eternizado na voz de Beth Carvalho, virou trilha sonora para um acerto de contas político na passagem de Douglas Ruas (PL) pela Baixada Fluminense neste sábado (3), véspera da eleição para o Governo do Rio.
Durante a carreata que passou por Belford Roxo e Nova Iguaçu, participantes do ato cantaram a música enquanto aliados do candidato faziam referências aos “traidores” que deixaram o projeto político do PL ao longo da campanha. O alvo mais evidente era o ex-prefeito de Nova Iguaçu Rogério Lisboa (PP), inicialmente anunciado como vice de Ruas, mas que abandonou a chapa em julho e depois declarou apoio a Eduardo Paes (PSD).
No trio elétrico, o locutor puxou o verso e foi acompanhado em coro por integrantes da comitiva. Ruas ria enquanto os aliados cantavam. Nos bastidores do ato, porém, a provocação ganhou endereço duplo: Márcio Canella (União Brasil), ex-prefeito de Belford Roxo, também foi citado como destinatário da música.
De aliados a alvos das provocações
Lisboa e Canella estiveram no núcleo original da articulação eleitoral de Ruas. O primeiro havia sido anunciado como candidato a vice-governador. Canella, por sua vez, chegou a ocupar o espaço de candidato ao Senado no desenho inicial da aliança de centro-direita. Em março, os três ainda participavam juntos de encontros destinados a consolidar o palanque estadual.
A composição se desfez antes do início oficial da campanha. Lisboa desistiu da vice e posteriormente aderiu a Paes. Canella também deixou de integrar a chapa após o União Brasil se afastar da coligação e assumir inicialmente uma posição de neutralidade na disputa pelo Palácio Guanabara.
A distância aumentou nesta reta final. Na sexta-feira (2), Mariana Canella, prefeita de Belford Roxo e integrante do grupo político de Márcio Canella, apareceu ao lado de Paes e declarou voto no candidato do PSD. Lisboa também participou da mobilização, ao lado de prefeitos da Baixada que apoiam Paes.
Foi nesse cenário que Ruas desembarcou neste sábado justamente nos dois municípios ligados aos antigos aliados, Belford Roxo e Nova Iguaçu.
Ruas prega ‘Fora Lula e vai com Paes’
Se os aliados ficaram encarregados das provocações aos antigos integrantes da chapa, Ruas concentrou sua breve fala em Paes e no presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
No Centro de Nova Iguaçu, a carreata encontrou cabos eleitorais do deputado federal Lindbergh Farias (PT). O volume do carro de som aumentou e Ruas pegou o microfone para pedir votos para sua candidatura e para Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência.
“Vamos tirar o PT do Brasil e do Rio. Domingo, é Douglas Ruas 22 e Flávio Bolsonaro 22. Somos a mudança. Fora Lula e vai com Paes”, afirmou Ruas, ainda com a voz rouca em razão de uma gripe.
O bordão busca associar Paes ao presidente Lula na reta final da campanha. Paes construiu uma coligação ampla, com lideranças que apoiam diferentes candidatos à Presidência, e tem recebido na Baixada adesões de políticos que anteriormente integravam ou orbitavam a aliança montada em torno de Ruas.
A disputa pela região foi uma das batalhas estratégicas da eleição. A Baixada concentra 21,9% do eleitorado fluminense e, desde a pré-campanha, os dois principais candidatos buscaram consolidar alianças com prefeitos, vereadores e lideranças locais. Paes avançou sobre os maiores municípios, enquanto Ruas manteve aliados em cidades como Nilópolis e Mesquita.
Últimas horas de campanha
Mesmo sob chuva, Ruas percorreu Belford Roxo e Nova Iguaçu acompanhado de aliados, entre eles a deputada estadual Índia Armelau (PL), o deputado federal Dr. Flávio (PL) e o vereador Fernando Armelau (PL).
O candidato ainda tinha previsto para este sábado um compromisso ao lado de Flávio Bolsonaro em Campo Grande, na Zona Oeste do Rio. A agenda encerra uma campanha na qual Ruas procurou nacionalizar a disputa estadual e explorar sua identificação com o bolsonarismo.







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