Em acordo com cinco bancos, Correios aprovam empréstimo de R$ 20 bilhões

Banco do Brasil, BTG Pactual, Citibank, ABC Brasil e Safra oferecem condições mais flexíveis, e operação se torna peça-chave do plano de reestruturação da estatal

O conselho de administração dos Correios aprovou na manhã deste sábado o empréstimo de R$ 20 bilhões que servirá como base para o plano de reestruturação da empresa, informa o jornal Folha de S. Paulo. Segundo fontes envolvidas nas negociações, a proposta apresentada atende integralmente ao valor solicitado pela estatal e foi formalizada por um sindicato composto por cinco instituições financeiras: Banco do Brasil, Citibank, BTG Pactual, ABC Brasil e Safra.

A operação contará com garantia do Tesouro Nacional, que assume a responsabilidade pelos pagamentos caso a companhia não consiga honrar as parcelas. A Caixa Econômica Federal, que participou das primeiras discussões, deixou as tratativas antes da conclusão.

Os bancos envolvidos ainda não se manifestaram publicamente. Até o momento, os Correios também não responderam sobre a aprovação do acordo.

Taxa próxima a 136% do CDI e condições mais brandas

A taxa de juros negociada ficou levemente abaixo da proposta inicial de 136% do CDI. Apesar disso, pessoas próximas às discussões avaliam que as condições gerais do novo acordo melhoraram. Na rodada anterior, os bancos exigiam contrapartidas incomuns para operações com aval soberano, como lucro mínimo garantido e recebíveis futuros da estatal —condições que aumentavam o custo do risco para a empresa.

Nesta etapa final, as exigências foram flexibilizadas, embora o custo do crédito permaneça próximo aos 136% do CDI. A empresa optou por abrir nova rodada de negociações após um primeiro sindicato —formado por Banco do Brasil, BTG Pactual, Citibank e ABC Brasil— aceitar conceder o crédito dentro do valor pleiteado. A direção dos Correios, porém, buscou reduzir custos antes de bater o martelo.

BTG Pactual, Citibank e ABC Brasil já são credores da estatal em uma operação de R$ 1,8 bilhão contratada no primeiro semestre deste ano, que deve ser quitada com o novo empréstimo. O Safra integrou o grupo na segunda rodada.

Correios acumulam prejuízos desde 2022

A conclusão do empréstimo é essencial para aliviar a pressão de caixa da estatal, que enfrenta dificuldades financeiras crescentes. Desde 2022, os Correios acumulam resultados negativos. Apenas entre janeiro e setembro deste ano, o prejuízo alcançou R$ 6,1 bilhões.

Para os bancos, a avaliação da capacidade de recuperação da empresa depende diretamente do plano de reestruturação em curso. A proposta é tratada como “ponto central” para sustentar a decisão de liberar o crédito, já que estabelece metas e ajustes operacionais considerados fundamentais para reverter o quadro financeiro.

A crise atual, embora expressa nos números, tem origem estrutural: custos crescentes, perda de competitividade, deficiências logísticas e decisões estratégicas consideradas insuficientes para enfrentar a concorrência de empresas privadas de entregas e comércio eletrônico.

Governo prepara medidas para viabilizar aval do Tesouro

O governo de Luiz Inácio Lula da Silva deve editar um decreto e uma portaria interministerial para formalizar a concessão da garantia do Tesouro Nacional à operação. As medidas são necessárias para autorizar juridicamente o empréstimo e garantir segurança às instituições financeiras envolvidas.

A expectativa é que a assinatura do contrato ocorra assim que os instrumentos normativos forem publicados, permitindo que a estatal receba os recursos e inicie a etapa mais robusta do plano de reestruturação.

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