Eleitores enfrentam filas de até três horas para votar no Rio

Longa espera é registrada em diferentes regiões, e mulher passa mal durante fila em São Gonçalo

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O primeiro turno das eleições deste domingo (4) começou com um desafio adicional para parte dos eleitores do Rio de Janeiro: chegar à urna. Filas que chegaram a três horas foram registradas em diferentes locais, enquanto mudanças de seções, problemas técnicos e o maior número de escolhas na urna contribuíram para aumentar o tempo de espera.

Nesta eleição, o eleitor precisa registrar seis votos para cinco cargos. A sequência começa com deputado federal e deputado estadual, passa pelos dois votos para o Senado e termina com governador e presidente da República.

Ao todo, são 19 algarismos a serem digitados, além do tempo necessário para conferir os candidatos e confirmar cada escolha. Em 2022, quando ocorreu a última eleição presidencial, havia apenas uma vaga para o Senado em disputa.

Mudanças surpreendem eleitores

Na Gávea, Zona Sul, houve relatos de espera entre 40 minutos e uma hora na PUC. Parte dos eleitores votava anteriormente no Colégio Municipal Desembargador Oscar Tenório, mas teve a seção transferida para a universidade.

Oito seções da escola foram deslocadas para a PUC, provocando concentração de eleitores e filas em dois andares. A advogada Juliana Muniz só descobriu a alteração ao chegar ao antigo local de votação. “Chegando lá, falaram que eu tinha que votar na PUC. Estou tem uns 40 minutos na fila”, reclamou.

Em Botafogo, eleitores do Colégio Adventista enfrentaram mais de uma hora de espera. No Colégio de Aplicação da UFRJ, na Lagoa, foram disponibilizadas três urnas para seis seções, e houve relatos de filas de até três horas.

A estudante Mariana Melo, de 23 anos, conferiu previamente onde deveria votar. “Como estavam falando que tinha lugar de votação que ia mudar, eu chequei. Estou aqui há 30 minutos e meu celular tá descarregando, não vou conseguir mostrar o e-titulo, mas trouxe a identidade”, contou.

Calor e confusão em São Gonçalo

A situação também exigiu paciência de eleitores do Complexo do Salgueiro, em São Gonçalo. Por volta das 12h30, uma extensa fila se formava para acessar as cabines instaladas no São Gonçalo Shopping, no bairro Boa Vista.

Os pontos de votação foram transferidos por questões de segurança e, no primeiro ano da mudança, eleitores relataram confusão e longa espera. Moradora do complexo, Monalisa Silva aguardava havia mais de 40 minutos e ainda estava distante da seção.

“Eu votava a 700 metros da minha casa. E agora estou aqui, no calor, sem água, sem saber como vai ser”, desabafou. Durante a espera sob o sol, uma mulher passou mal e precisou ser socorrida, sendo colocada em uma cadeira de rodas.

Demora também em outras regiões

No Ciep Yuri Gagarin, eleitores relataram aproximadamente uma hora de espera. A confeiteira Layra de Paula, de 27 anos, afirmou que vota no local desde que tirou o título eleitoral e nunca havia enfrentado demora semelhante.

“Foi a primeira vez que demorei tanto para votar. Na última eleição, não fiquei mais do que 30 minutos no colégio. Hoje, eu cheguei antes das 9h e só consegui sair às 10h30. Estava tudo bem confuso e bagunçado, e não tinha gente o suficiente para dar informações. Além disso, eles colocaram duas sessões dentro de uma sala, e sempre foi uma sessão por sala. Eu só encontrei um funcionário no primeiro andar e mais ninguém. Muito desorganizado. Tinha muito idoso e crianças de colo nas filas, e tinha mais gente reclamando também da demora”, disse.

Na Barra da Tijuca, houve relatos de espera de até duas horas. No Complexo do Alemão, moradores disseram nunca ter visto filas tão extensas em uma eleição. Alguns eleitores chegaram a desistir diante da estimativa de até três horas para alcançar as urnas.

TRE explica formação das filas

O Tribunal Regional Eleitoral do Rio apontou uma combinação de fatores para explicar a situação. Entre eles estão os seis votos registrados na urna, a escolha de dois senadores e eventuais problemas técnicos que exigem a substituição de equipamentos.

O secretário de Tecnologia da Informação do TRE-RJ, Michel Marchetti Kowacs, afirmou que o tempo médio de votação gira em torno de um minuto e meio por pessoa. “Este ano sabemos que temos seis cargos em votação. Com certeza, um dos principais motivos da fila é a questão do segundo voto para o Senado. Já imaginávamos que isso poderia gerar uma grande fila”, afirmou.

Problemas técnicos também podem aumentar a espera, especialmente quando uma urna precisa ser substituída e já existe grande concentração de eleitores. “Se acontece no começo da votação, se já tiver muita gente na fila, se houver uma contingência que demore um pouquinho mais, por exemplo, 20 minutos, é uma coisa que com certeza impacta muito na fila”, explicou.

Mais de 100 urnas são substituídas

Até o primeiro balanço parcial do dia, 127 urnas eletrônicas haviam sido substituídas no estado, o equivalente a 0,29% dos equipamentos. A cidade do Rio concentrava 53 substituições. Duque de Caxias registrava seis, enquanto Niterói e Nilópolis tinham cinco trocas cada. Os números são parciais.

“No começo do dia, temos o maior número de substituições. Muitas vezes, no manejo da urna para levar até o local de votação, conexões ou componentes internos podem se soltar. Também ocorre bastante atolamento de papel da impressora”, afirmou Kowacs.

Segundo o secretário, o índice permanecia dentro do padrão esperado. No primeiro turno de 2024, a proporção de equipamentos substituídos chegou a 0,96%.

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