Paulo Baía
A mais recente pesquisa Datafolha, divulgada no dia 3 de outubro de 2024, aponta Eduardo Paes, atual prefeito do Rio de Janeiro e candidato à reeleição pelo PSD, como favorito na disputa pela prefeitura da cidade. Paes lidera com 54% das intenções de voto, um número que o coloca à frente de seus concorrentes de forma isolada, e indica a possibilidade concreta de vitória no primeiro turno. Esse resultado é especialmente significativo porque, segundo a mesma pesquisa, ele detém 63% dos votos válidos, margem suficiente para evitar um segundo turno nas eleições de 6 de outubro.
No entanto, o crescimento do candidato Alexandre Ramagem (PL) merece destaque. Ramagem, deputado federal e ex-diretor da Polícia Federal, mostrou um aumento expressivo em sua campanha, alcançando 22% das intenções de voto na pesquisa estimulada, um aumento de 11 pontos percentuais em relação à sondagem anterior, realizada em setembro. Esse salto reflete o impacto positivo da exposição de Ramagem na propaganda eleitoral, especialmente na televisão e no rádio, além de seu engajamento nas redes sociais.
Além disso, a pesquisa espontânea, que mede a intenção de voto sem apresentar os nomes dos candidatos, reforça a liderança de Eduardo Paes. Nesse cenário, ele aparece com 43% das intenções de voto, 26 pontos à frente de Ramagem, que registra 17%. Embora ainda haja 23% de eleitores indecisos, essa queda no número de indecisos em relação à pesquisa anterior sugere que Paes conseguiu consolidar seu nome como a escolha mais provável para a maioria dos cariocas.
Desempenho consistente de Paes
Desde o início da campanha eleitoral, Eduardo Paes vem sustentando uma posição privilegiada nas pesquisas, refletindo seu histórico de gestão e seu reconhecimento junto ao eleitorado. Mesmo com uma queda de cinco pontos percentuais em relação à pesquisa anterior, ele continua em uma posição confortável, especialmente considerando a alta taxa de votos válidos que possui.
Paes é conhecido por seu estilo pragmático de governar, com uma agenda focada em projetos de infraestrutura e mobilidade urbana, além de ações na saúde e educação que marcaram suas gestões anteriores. A experiência de três mandatos como prefeito e sua habilidade política de construir alianças diversas foram essenciais para que ele continuasse à frente na disputa, apesar das críticas e desafios ao longo do caminho. Sua campanha também se beneficia de uma narrativa que compara sua trajetória com a dos adversários, o que o coloca como uma escolha de continuidade e segurança em um momento de incerteza econômica e social no país.
Crescimento de Alexandre Ramagem
Alexandre Ramagem, candidato pelo PL, surpreendeu com seu crescimento acelerado nas últimas semanas. A pesquisa Datafolha registrou seu avanço significativo, saltando de 11% para 22% das intenções de voto desde a última sondagem. Esse aumento tem sido impulsionado, em grande parte, pela sua exposição na propaganda eleitoral gratuita, onde Ramagem tem apostado em uma mensagem de renovação e segurança pública, temas sensíveis para o eleitor carioca. Com um perfil conservador e forte presença nas redes sociais, Ramagem conseguiu atrair um público que busca mudanças mais drásticas na forma de governar a cidade, especialmente em áreas como segurança, que é um dos principais problemas enfrentados pelo Rio de Janeiro.
Sua campanha também enfatiza sua trajetória na Polícia Federal e sua atuação como aliado do ex-presidente Jair Bolsonaro, fatores que o posicionam como um candidato capaz de implementar políticas rigorosas de combate ao crime. Embora ainda distante de alcançar Eduardo Paes, a curva ascendente de Ramagem coloca sua candidatura em evidência, e analistas políticos não descartam a possibilidade de que ele ainda possa surpreender no dia da eleição, especialmente se o eleitorado indeciso pender para o seu lado.
Outros candidatos
Enquanto Eduardo Paes e Alexandre Ramagem polarizam a disputa, os demais candidatos têm encontrado dificuldades para se destacar. Tarcísio Motta (PSOL), que também é deputado federal, aparece em terceiro lugar com apenas 4% das intenções de voto. Seu desempenho modesto reflete a dificuldade de sua campanha em atrair um eleitorado mais amplo, apesar do crescimento do PSOL em outras capitais brasileiras. A agenda progressista e focada em direitos humanos de Motta parece não ter encontrado ressonância suficiente no atual cenário carioca, onde os temas de segurança e gestão pública têm dominado o debate.
Marcelo Queiroz (PP), com 2%, e Rodrigo Amorim (União Brasil), Cyro Garcia (PSTU) e Juliete Panjota (UP), com 1% cada, completam o quadro de candidatos com pouca viabilidade de avançar na disputa. Esses números indicam que a eleição se consolidou como uma disputa entre Paes e Ramagem, com o atual prefeito em uma posição altamente favorável.
Probabilidade de vitória no primeiro turno
Com base nos números da pesquisa Datafolha, Eduardo Paes caminha para uma vitória no primeiro turno. A marca de 63% dos votos válidos, combinada com a ausência de crescimento significativo de seus adversários além de Ramagem, sugere que a eleição poderá ser decidida já no dia 6 de outubro. A margem de erro de três pontos percentuais ainda oferece alguma margem para variações, mas, no cenário atual, Paes mantém uma liderança confortável.
No entanto, o crescimento de Ramagem, aliado ao ainda considerável número de eleitores indecisos, traz um elemento de incerteza que pode adicionar uma dose de emoção ao final da campanha. Se Ramagem continuar a crescer, especialmente entre os eleitores que estão inclinados a votar em branco ou nulo (atualmente em 10%), ele poderá forçar um segundo turno. Porém, até o momento, as projeções indicam que a vitória de Paes no primeiro turno é o cenário mais provável.
Conforme se aproxima o dia da votação, a atenção se volta para as últimas movimentações de campanha e o desempenho dos candidatos no último debate na Rede Globo, que poderá ser decisivo para influenciar os eleitores indecisos. Independentemente do resultado final, a campanha de 2024 no Rio de Janeiro já demonstra a força de Eduardo Paes, mas também aponta para o surgimento de novas lideranças, como Alexandre Ramagem, que certamente continuará a ser um nome relevante na política carioca e nacional.
* Sociólogo, cientista político e professor da UFRJ.





