Com o encerramento da janela partidária, o ex-presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha definiu que permanecerá no Republicanos para disputar uma vaga de deputado federal nas eleições de outubro. A decisão, segundo ele, levou em conta o fato de já estar filiado à legenda e a ausência de uma alternativa considerada mais vantajosa na composição de chapa.
Em declaração à rádio Itatiaia, Cunha afirmou que só cogitaria mudar de partido diante de uma formação eleitoral mais competitiva, o que não se concretizou no atual cenário.
Disputa em Minas e conflitos políticos
O ex-deputado escolheu Minas Gerais como base eleitoral para tentar retornar à Câmara. No estado, terá como correligionário o senador Cleitinho Azevedo, que é cotado para disputar o governo estadual. A relação entre os dois, no entanto, é marcada por atritos.
No ano passado, Cunha apresentou uma queixa-crime no Supremo Tribunal Federal contra o senador, após ser chamado de “vagabundo” e “canalha” durante um ato político em Belo Horizonte. Antes disso, Cleitinho já havia declarado que percorreria os municípios mineiros para fazer campanha contra o ex-presidente da Câmara caso ele confirmasse a candidatura.
Aposta no peso eleitoral do estado
Em vídeo divulgado no início do ano, Cunha explicou os motivos que o levaram a escolher Minas Gerais. Segundo ele, o estado representa um retrato fiel do país e tem relevância decisiva nas disputas nacionais.
“(Em Minas Gerais) Você está perto de Goiás, Bahia, Mato Grosso (do Sul), São Paulo, Espírito Santo e Rio de Janeiro. A gente tem as características do Nordeste na região Norte, as características de São Paulo na região Sul. A gente tem tantas diferenças, que o que acontece em Minas, acontece no Brasil”, afirmou.
O ex-deputado também destacou o peso eleitoral do estado, lembrando que Minas é o segundo maior colégio eleitoral do país e que, nas eleições de 2022, apresentou resultado semelhante ao cenário nacional, com disputa acirrada entre Luiz Inácio Lula da Silva e Jair Bolsonaro.
“Minas tem um papel muito maior do que exerce hoje. É o segundo colégio eleitoral do Brasil. Foi muito aviltada, sabemos disso. O que aconteceu com o governo do (Fernando) Pimentel (PT, 2015 a 2018) foi um desastre”, disse.
Reconfiguração política familiar
A mudança de estado também está ligada à reorganização da base política da família. Após quatro mandatos consecutivos como deputado federal pelo Rio de Janeiro, Cunha decidiu não disputar novamente no estado para abrir espaço à filha, Dani Cunha, eleita em 2022.
Naquele pleito, o ex-presidente da Câmara tentou uma vaga por São Paulo, mas teve desempenho modesto. A estratégia atual busca reposicioná-lo em um cenário considerado mais favorável.
Ao comentar seus planos, Cunha afirmou que pretende recolocar Minas Gerais no centro do debate político nacional e reforçou a importância do estado como termômetro das eleições presidenciais.






Deixe um comentário