A Brookfield adquiriu 97% das unidades do futuro residencial no Edifício A Noite, uma das construções mais icônicas do Rio de Janeiro, localizada na região portuária. A compra foi feita em um momento estratégico, apostando no potencial turístico da cidade e na revitalização da área. A transação foi realizada pela Azo, incorporadora paulista que, no ano passado, comprou o edifício, com base em um plano de retrofit orçado em R$ 188 milhões. A Azo continuará à frente da execução do projeto até sua conclusão, prevista para 2027.
Embora o valor da transação não tenha sido divulgado, estima-se que o Valor Geral de Vendas (VGV) do empreendimento seria de R$ 240 milhões, conforme o planejamento inicial da Azo para o lançamento em março. É provável, porém, que a Brookfield tenha conseguido um desconto considerável sobre esse montante, uma vez que assumiu a operação eliminando custos de comercialização e o risco de unidades não serem vendidas.
No total, a Brookfield ficará com 434 dos 447 apartamentos do Edifício A Noite, além de áreas comerciais, como restaurantes e lojas. A incorporadora paulista manterá os 13 apartamentos restantes. Enquanto a Azo visa a venda das unidades, a Brookfield tem planos de alugar os imóveis para estadias de curta e média duração, contratando uma operadora especializada para gerenciar os aluguéis.
O projeto de revitalização do edifício, que já conta com a aprovação do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), preservará as características originais do imóvel, já que o edifício é tombado. A única pendência para o início das obras é a autorização do Iphan para os serviços de desmontagem interna, com expectativa de que a liberação ocorra até o início de 2025. O foco do projeto é renovar o histórico edifício mantendo sua identidade e oferecendo novas opções de moradia e comércio em uma das regiões mais dinâmicas do Rio.
Embora tenha vendido recentemente sua participação no Rio Sul, como parte de um plano para sair do segmento de shoppings no Brasil, a compra do A Noite reforça a estratégia da Brookfield no mercado carioca, explica André Lucarelli, vice-presidente sênior de investimentos da companhia.
— A história da Brookfield com o Rio é muito antiga. Fomos responsáveis pelos primeiros bondes elétricos da cidade. No mercado imobiliário especificamente, já temos forte presença, com ativos como o Edifício Manchete (na Glória) e o Ventura (no Centro). O Edifício A Noite é uma oportunidade espetacular de expandir nosso portfólio e entrar no segmento residencial para locação na cidade — afirma Lucarelli.
Conhecido como “multifamily”, o modelo de empreendimentos residenciais destinados à locação é relevante para a Brookfield em outras regiões do país, com 5,7 mil unidades no total. Em agosto, a gestora adquiriu, numa só tacada, cinco prédios residenciais no Centro de São Paulo, incluindo o charmoso Edifício Renata Sampaio Ferreira.
No Rio, o A Noite será o primeiro empreendimento nesse formato, juntamente com um projeto menor na Cinelândia: a gestora também adquiriu o Edifício Glória, prédio histórico localizado na Praça Floriano, próximo ao tradicional Bar Amarelinho. O imóvel será reformado e terá suas unidades destinadas à locação.
A Brookfield — que também é dona da incorporadora Tegra — chegou a participar da concorrência pública para comprar o A Noite, mas a Azo levou o imóvel com um lance de R$ 36 milhões. As empresas, no entanto, começaram a conversar logo após o leilão, em parte devido a uma coincidência de currículos: José de Albuquerque, CEO da Azo, esteve por quase três décadas na Brookfield, onde trabalhou diretamente com Lucarelli. As conversas se intensificaram nos últimos três meses.
— Com a entrada da Brookfield, o A Noite se torna mais do que nunca um projeto de altíssimo nível. Eles compartilham conosco uma visão de preservação do edifício. E, para nós, a etapa de comercialização das unidades é sempre um desafio. Vender todas as unidades para uma única empresa é muito mais eficiente do que negociar com mais de 400 compradores — destaca o CEO da Azo, empresa controlada pela família Vetorrazzo, um dos principais acionistas da Aegea, gigante do setor de saneamento que está por trás da Águas do Rio.
Com informações de O Globo.





