Dossiê aponta que uso de fogo como arma em conflitos por terra aumentou no governo Bolsonaro

247– Só no ano de 2021, 142 conflitos envolvendo fogo criminoso atingiram  cerca de 38 mil famílias no Brasil. Entre as 132 comunidades diretamente  afetadas, algumas foram incendiadas mais de uma vez. O estado do Mato Grosso do Sul, com 26 ocorrências, desponta como o campeão, seguido pelo Mato Grosso.   Neste segundo, das dez áreas…

247– Só no ano de 2021, 142 conflitos envolvendo fogo criminoso atingiram  cerca de 38 mil famílias no Brasil. Entre as 132 comunidades diretamente  afetadas, algumas foram incendiadas mais de uma vez. O estado do Mato Grosso do Sul, com 26 ocorrências, desponta como o campeão, seguido pelo Mato Grosso.  

Neste segundo, das dez áreas protegidas mais desmatadas entre agosto de 2020 e julho do ano passado, seis são do povo Xavante.  Para se ter ideia, a área atingida por incêndios florestais no Mato  Grosso equivale a quase cinco vezes o tamanho de São Paulo. 

A escalada destes números aconteceu durante o governo Bolsonaro.  Conflitos envolvendo fogo acontecem em todos os biomas brasileiros, mas  em 2021 o Cerrado concentrou 54% deles.

De um ano para o outro, a taxa de desmatamento  nessa região subiu 7,9% – o maior crescimento desde 2015. Desde que Jair  Bolsonaro (PL) assumiu a presidência do país, em 2018, a devastação no  Cerrado cresceu 17%. 

A partir de sistematizações da Comissão Pastoral da Terra (CPT), estes dados estão na terceira fase do dossiê da Articulação “Agro é Fogo”.  Lançado nesta quinta (13), o material de 100 páginas enfatiza a relação  intrínseca entre os incêndios nos biomas brasileiros, os conflitos por  terra e a política posta em prática pelo governo federal.  

“O aumento das queimadas criminosas faz parte de um projeto político  que está diretamente ligado às ações do poder legislativo e executivo”,  ressalta a articulação “Agro é Fogo”, que reúne 30 organizações e  pastorais atuantes na defesa da Amazônia, Cerrado, Pantanal e seus  povos.  

Citando que nas áreas da Amazônia Legal 44% das comunidades que  sofreram com incêndios tiveram de enfrentar também ações de desmatamento  e grilagem de terras, o documento reforça que o contexto é de uma  “sobreposição de violências”.  

“São áreas ricas em sociobiodiversidade sendo desmatadas com tratores  e fogo, e depois empobrecidas com gados e monocultura, tudo isso ao  redor das terras indígenas”, aponta o relatório. 

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