Disparada de casos: motociclistas são 3 a cada 4 vítimas de acidentes no Rio

Apesar de representarem apenas 16% da frota, motos lideram ocorrências e geram alerta para o sistema de saúde

No Rio de Janeiro, os motociclistas estão no epicentro da crise no trânsito. Dados do Corpo de Bombeiros mostram que 77% das ocorrências de trânsito atendidas pela corporação em 2023 envolveram motos, o equivalente a 20.877 acidentes entre um total de 27.161. Isso significa que há um acidente com motocicleta a cada 25 minutos na cidade.

Apesar de representarem apenas 16% da frota circulante, os motociclistas correspondem a 76% dos feridos socorridos pelos Bombeiros, com 8.028 vítimas em um total de 10.531. A rede municipal de saúde também tem sentido o impacto: em 2024, os atendimentos a motociclistas cresceram 32% em relação ao ano anterior, ultrapassando 19 mil casos.

Os acidentes também refletem o aumento da imprudência no trânsito. Em 2023, das 6,6 milhões de multas aplicadas no estado, 821 mil foram direcionadas a motociclistas. Na capital, esse número chegou a 424 mil, sendo as principais infrações excesso de velocidade, conduzir sem capacete (9.069 autuações) e transportar passageiro sem proteção (2.965 casos).

O aumento da frota de motocicletas também se reflete na gravidade dos acidentes. No Hospital Municipal Miguel Couto, os atendimentos a vítimas de colisões com moto cresceram quase 50% em 2024, passando de uma média mensal de 165 em 2023 para 250 neste ano. Em hospitais estaduais como o Alberto Torres, em São Gonçalo, o aumento também foi expressivo: de 4.823 para 6.123 atendimentos no período.

Entre os tipos de ocorrência, colisões entre motos e carros lideram as estatísticas, seguidas por quedas e choques entre motocicletas. O desrespeito às regras de trânsito é visível nas ruas, com motociclistas trafegando na contramão, furando sinais e circulando em calçadas. Essa realidade tem gerado um impacto direto no sistema de saúde pública, como alerta o secretário municipal de Saúde, Daniel Soranz:

“Mais de 1.500 pacientes chegam aos nossos hospitais mensalmente vítimas de acidentes com moto. Muitos sofrem sequelas graves, e algumas não resistem. Precisamos de medidas urgentes para reduzir essas estatísticas.”

Aplicativos precisam de mais rigor para cadastrar motoboys

A falta de preparação de novos motociclistas também preocupa. Segundo motoboys experientes, a facilidade para se cadastrar em aplicativos sem treinamento adequado tem levado à proliferação de condutores inexperientes e despreparados, elevando ainda mais os riscos no trânsito.

O desafio de conter essa escalada de acidentes exige ações efetivas de fiscalização e conscientização. Sem isso, a tendência é que os números sigam crescendo, sobrecarregando ainda mais os serviços de emergência e colocando em risco a vida de milhares de pessoas diariamente.

Com informações de O Globo

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