Dois diretores da Ordem dos Advogados do Brasil do Rio de Janeiro (OAB-RJ) preparam seus pedidos de renúncia em forma de desagravo à atual administração da entidade. Vão deixar a diretoria o tesoureiro e presidente da Comissão de Prerrogativas, Marcello Oliveira; e o secretário-Geral, Álvaro Quintão.
O estopim para as renúncias foi a reprimenda feira pelo presidente da OAB-RJ, Luciano Bandeira, ao presidente da Comissão de Direitos Humanos após o anúncio de que o órgão iria pedir a reabertura de inquéritos da Delegacia de Homicídios presididos pelo delegado Rivaldo Barbosa, que foi preso por suposto envolvimento no caso Marielle. Em seguida, também houve uma repreensão à presidente da Comissão Jovem, que fez críticas à gestão atual. Ambos foram exonerados dos cargos.
A seccional fluminense da Ordem dos Advogados do Brasil divulgou, nota em que desmente qualquer tipo de pressão referente à troca de comando da Comissão de Direitos Humanos e Assistência Judiciária da entidade.
A manifestação foi provocada pela noticia de que ao menos 140 advogados que atuavam na comissão renunciaram em protesto a uma suposta interferência do atual presidente da OAB-RJ, Luciano Bandeira, para vetar a revisão de investigações conduzidas pelo delegado Rivaldo Barbosa. Ele foi preso sob a acusação de ter atuado para blindar investigações sobre o caso do assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes.
A pressão teria começado após o advogado Álvaro Quintão — secretário-geral da OAB-RJ e consultor da comissão — conceder entrevista em que defendia a reabertura de inquéritos arquivados sob a condução do delegado.
O presidente da Comissão de Direito Humanos, Ítalo Pires Aguiar, se manifestou publicamente confirmando as pressões. “Recentemente, a recusa em assumir o protagonismo na defesa da reabertura dos inquéritos presididos pelas autoridades policiais indicadas, pela Polícia Federal, como coautoras intelectuais da morte da vereadora Marielle Franco e de seu motorista, Anderson Gomes, a direção da comissão de direitos humanos chegou a ser ameaçada de exoneração em caso de insistência nesta agenda, atestou que meu ciclo na direção da comissão de direitos humanos da OAB/RJ chegou ao fim. Como não aceitei a política da omissão diante da necessidade de enfrentar a relação entre política, polícia e crime organizado em nosso Estado, fui exonerado do cargo”, escreveu ele.
Quintão e Marcello Oliveira, tesoureiro e presidente da Comissão de Prerrogativas, renunciaram aos seus cargos diante da exoneração dos presidentes da Comissão de Direito Humanos, Ítalo Aguiar, e da OAB Jovem, Amanda Magalhães.





