O ex-ministro da Casa Civil José Dirceu reforçou a pressão para que o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, seja candidato ao governo ou ao Senado por São Paulo nas eleições de 2026, informa o jornal O Globo. A manifestação ocorreu durante o evento de 46º aniversário do Partido dos Trabalhadores, realizado em Salvador (BA), nesta quinta-feira, ocasião em que Dirceu também defendeu a permanência de Geraldo Alckmin (PSB) como vice na chapa do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Segundo Dirceu, a manutenção de Alckmin na vice-presidência torna ainda mais necessária a presença de Haddad na disputa paulista. Para ele, a aliança entre Lula e Alckmin firmada em 2022 foi um pacto político com a sociedade brasileira e deve ser preservada.
“Eu defendo há muito tempo que ele [Haddad] seja o nosso candidato, já que o Geraldo Alckmin, no meu entendimento, deve continuar como vice-presidente. Porque isso foi um pacto político, uma espécie de um contrato que nós assinamos com a sociedade brasileira, que a aliança entre o Lula e o Alckmin criaria as condições para nós vencermos a eleição”, afirmou.
Retorno ao cenário eleitoral
A fala de Dirceu ocorre em meio às discussões sobre seu próprio futuro político. Afastado da Câmara dos Deputados há duas décadas, após a cassação no escândalo do mensalão, ele voltou a admitir a possibilidade de disputar uma vaga como deputado federal por São Paulo em 2026. Em maio do ano passado, O Globo mostrou que, mesmo sem assumir publicamente, Dirceu já cogitava um retorno ao Legislativo, com incentivo do próprio Lula.
A eventual candidatura, no entanto, gera resistências internas no PT, tanto pelo desgaste associado às condenações quanto pela avaliação de que a postulação teria mais peso simbólico do que eficácia eleitoral. Ainda assim, Dirceu afirma que sua experiência pode contribuir para o partido e para o governo.
“Há um apelo do presidente Lula para que eu passe à direção do PT e à Câmara. Eu acredito que eu posso contribuir com a minha experiência, que já fui deputado estadual, governador, ministro, presidi o PT, vim da luta lá atrás, na década de 1960. E posso contribuir com São Paulo, sendo deputado por São Paulo, e também com o governo do presidente Lula, trabalhando pela reeleição dele”, disse.
Pressão sobre Haddad e cenário paulista
A pressão para que Haddad concorra em São Paulo tem aumentado. O próprio Lula afirmou nesta quinta-feira que Alckmin, Haddad ou a ministra do Planejamento, Simone Tebet, podem ser candidatos ao governo estadual. O presidente elevou o tom ao dizer que tanto Haddad quanto Alckmin sabem que “têm um papel a cumprir”.
O ministro da Fazenda, por sua vez, tem dito publicamente que não deseja disputar eleições neste momento, mas enfrenta cobranças internas. O PT teme que a ausência de um palanque forte em São Paulo permita ao candidato de oposição ao Planalto abrir larga vantagem no maior colégio eleitoral do país.
Nesse contexto, aliados relembram o desempenho de Haddad em 2022, quando levou a disputa ao segundo turno contra o então candidato Tarcísio de Freitas e ajudou a reduzir a diferença entre Lula e Jair Bolsonaro na capital paulista. Na ocasião, Haddad foi derrotado por 55,34% a 44,66% dos votos válidos.
“Nós temos muito voto em São Paulo e temos condições de ganhar as eleições em São Paulo. Eu ainda não conversei com o Haddad, ainda não conversei com o Alckmin, mas eles sabem que têm um papel para cumprir em São Paulo, eles sabem. A Simone (Tebet) também tem um papel para cumprir, também não conversei com ela”, disse Lula em entrevista ao portal UOL.
MDB, vice e articulação nacional
No caso de Simone Tebet, o cenário mais provável é uma candidatura ao Senado por São Paulo, possivelmente fora do MDB, já que o diretório paulista do partido tende a apoiar o grupo do governador Tarcísio de Freitas. Tebet tem convite para se filiar ao PSB.
“Acho que a gente pode ganhar as eleições (para o governo estadual) em São Paulo se a gente escolher um candidato a governador, o Alckmin ou o Haddad, a Simone Tebet. Nós vamos ganhar aquelas eleições em São Paulo, porque é o seguinte: quem é que fez mais política social? Quero comparar com os governadores”, afirmou Lula.
Paralelamente, o PT articula uma aproximação com o MDB para a chapa presidencial. Como mostrou O GLOBO, um grupo encarregado por Lula trabalha para oferecer o posto de vice ao partido, o que poderia deslocar Alckmin para a disputa paulista. Entre os nomes citados estão Renan Filho e o governador do Pará, Helder Barbalho, embora ambos tenham planos eleitorais em seus estados.
A cúpula petista reconhece, contudo, que o MDB é marcado por divisões regionais e que uma aliança nacional dificilmente se refletiria de forma homogênea nos estados. Ainda assim, a estratégia busca garantir tempo de televisão e apoio formal à reeleição de Lula, com liberação dos diretórios locais.
Pressões internas e outros estados
Haddad também é pressionado por ministros petistas, como Camilo Santana e Gleisi Hoffmann. Camilo Santana afirmou ao Globo que o colega não pode se “dar ao luxo” de tomar decisões individuais. Haddad tem resistido e afirma preferir atuar na coordenação da campanha de reeleição. Nesta semana, resumiu o impasse nas conversas com o presidente.
“Estou conversando com o presidente sobre isso. Vamos ver quem convence quem”.
Lula também voltou a defender que o senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG) seja candidato ao governo de Minas Gerais. Reticente, Pacheco teria de trocar de partido para disputar o cargo, já que o PSD mineiro abriga o vice-governador Matheus Simões, aliado de Romeu Zema.
“Ainda não desisti de você, viu, Pacheco. Vamos ter uma conversa e acho que você pode ser o futuro governador de Minas Gerais”, afirmou o presidente.






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