Diplomacia brasileira opta por silêncio estratégico em relação a Israel

Segundo fontes do Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty), a diretriz interna é clara: “não cair em provocações baratas” e priorizar respostas diplomáticas

O governo brasileiro, sob a liderança do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, adotou uma postura de cautela e estratégia diplomática ao lidar com as recentes provocações vindas do governo israelense. Diplomatas e ministros receberam orientações nos bastidores para não responder às declarações e postagens dos representantes de Israel, evitando assim a escalada de tensões entre os dois países.

Segundo fontes do Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty), a diretriz interna é clara: “não cair em provocações baratas” e priorizar respostas diplomáticas, informa Malu Gaspar, em O Globo. Essa abordagem foi discutida em uma reunião no Palácio da Alvorada, envolvendo Lula, o assessor especial para assuntos internacionais Celso Amorim e os ministros Alexandre Padilha (Relações Institucionais) e Paulo Pimenta (Comunicação Social).

O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, atualmente no Rio de Janeiro para a reunião de chanceleres do G20, também se envolveu pessoalmente, buscando evitar que a crise se agravasse.

Na cúpula do Itamaraty, a ofensiva pública do governo de Israel contra o Brasil é vista como uma “tática trumpista e bolsonarista”. Essa estratégia visa desviar a atenção da discussão ocorrida nesta terça (20) no Conselho de Segurança da ONU, onde uma resolução apresentada pela Argélia condenou a ação de Israel em Gaza. A resolução, no entanto, foi vetada pelos Estados Unidos, que planejam apresentar um texto alternativo.

Além disso, o Brasil fez uma manifestação na Corte Internacional de Justiça em Haia, classificando como ilegal a ocupação israelense em territórios palestinos.

As últimas postagens do governo de Benjamin Netanyahu sobre Lula geraram polêmica. Em uma delas, o ministro das Relações Exteriores de Israel, Israel Katz, marcou o presidente brasileiro em um post, questionando: “Milhões de judeus em todo o mundo estão à espera do seu pedido de desculpas. Como ousa comparar Israel a Hitler?” O perfil oficial do governo israelense também chamou Lula de “negador do Holocausto”.

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