Desde que fugiu do Brasil, Zambelli já custou mais de R$ 500 mil à Câmara dos Deputados

Mesmo presa no exterior, deputada mantém gabinete ativo, acumula gastos e usa parecer da Câmara como argumento para evitar retorno ao Brasil

Desde que fugiu do Brasil em junho deste ano, a deputada federal Carla Zambelli (PL-SP) já custou R$ 521 mil aos cofres da Câmara dos Deputados. O valor, registrado no portal de transparência da Casa, corresponde ao pagamento de salários de sua equipe entre junho e outubro. Os dados referentes a novembro ainda não foram divulgados. Em outubro, por exemplo, a verba mensal de gabinete — limitada a R$ 133.170,54 — quase foi totalmente utilizada, alcançando R$ 132.886.

Preservada pela legislação enquanto permanece formalmente “no exercício do mandato”, Zambelli continua com 12 funcionários ativos. Sua equipe afirma que todas as funções administrativas e políticas seguem sendo desempenhadas, como acompanhamento de emendas, de projetos de lei e da atuação no estado.

Estrutura mantida apesar de bloqueios

Condenada definitivamente pelo Supremo Tribunal Federal em dois processos que somam mais de 15 anos de pena, Zambelli teve seu salário de R$ 46,3 mil e o acesso à verba de gabinete bloqueados por ordem do ministro Alexandre de Moraes. Ainda assim, a estrutura do mandato foi mantida pela Câmara, o que inclui o funcionamento de seu gabinete e o pagamento dos servidores.

Desde o início do ano, o gasto com pessoal supera R$ 1,1 milhão. No período, houve cortes e mudanças na equipe: 17 funcionários foram desligados em diferentes momentos, e o gabinete chegou a ser chefiado temporariamente pelo suplente José Olímpio (PL), autorizado pela Casa a alterar a composição do quadro.

Processo de cassação travado na Câmara

Apesar da fuga e das condenações, a Câmara não avançou no processo de cassação. A Comissão de Constituição e Justiça analisou o caso, mas aprovou parecer contrário à perda do mandato, impedindo que o caso seguisse ao plenário. A decisão é agora usada pela defesa de Zambelli como argumento para impedir sua extradição.

Nesta quinta-feira, a Justiça italiana adiou para 18 de dezembro a decisão sobre o pedido de extradição. O advogado Angelo Alessandro Sammarco apresentou novos documentos à Corte de Apelação de Roma, entre eles o parecer da CCJ, sustentando que não há consenso institucional no Brasil para afastá-la do cargo.

Fuga, prisão e processos criminais

Zambelli deixou o país em 3 de junho alegando buscar tratamento médico, sem detalhar o destino. Pouco depois, a pedido da Procuradoria-Geral da República, Moraes determinou sua prisão preventiva. Em julho, a deputada foi detida na Itália, dando início a uma série de audiências —as primeiras dedicadas exclusivamente a pedidos da defesa para revogar a medida cautelar.

A sessão desta quinta-feira é a primeira focada diretamente na extradição. Antes disso, uma audiência prevista para 27 de novembro foi adiada por conta de uma greve de servidores públicos italianos.

A deputada foi considerada culpada em dois processos que já transitaram em julgado: o primeiro, por contratar um hacker para inserir um falso mandado de prisão contra Alexandre de Moraes no sistema da Justiça; o segundo, por sacar uma arma e perseguir um homem na véspera da eleição de 2022, em São Paulo.

Deixe um comentário

Mais recentes

Descubra mais sobre Agenda do Poder

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continue reading