O Corpo de Bombeiros localizou na manhã deste domingo (13) o corpo de uma menina de sete anos entre os escombros do prédio que desabou sobre uma casa na Penha, na zona leste de São Paulo. Com a localização da criança, o número de mortos chegou a seis.
O corpo foi retirado do local no início da tarde. Segundo Robson Mitsu, comandante do 3º Grupamento do Corpo de Bombeiros, a operação de emergência foi encerrada após mais de 24 horas de buscas. A partir de agora, a remoção dos escombros ficará sob responsabilidade da Prefeitura de São Paulo.
As equipes procuravam oito moradores das casas atingidas. De acordo com Mitsu, havia inicialmente a informação de que vigilantes poderiam estar no prédio em construção, mas os proprietários e advogados negaram a presença dessas pessoas no imóvel.
Polícia prende sócio da construtora
Também neste domingo, a Polícia Civil cumpriu um mandado de prisão contra um dos sócios-proprietários da construtora New Home, responsável pelo empreendimento. O homem, que não teve a identidade divulgada, foi levado ao 24º Distrito Policial, na Ponte Rasa.
A polícia ainda deve cumprir outros dois mandados de prisão contra responsáveis pelo empreendimento. Até o momento, os crimes pelos quais os investigados poderão responder não foram confirmados.
Procurado, o advogado da empresa informou que não deve se manifestar neste momento. Em nota divulgada anteriormente, a New Home afirmou que não havia elementos para afirmar que a causa do desabamento ocorreu exclusivamente por uma conduta da construtora.
Seis vítimas eram bolivianas
O prédio tinha 11 pavimentos e desabou por volta das 2h de sábado, na rua Tequici. A estrutura caiu sobre uma residência vizinha, onde moravam nove pessoas. O imóvel também funcionava como oficina de costura.
As seis pessoas que morreram eram bolivianas e viviam havia nove anos no Brasil. Entre as vítimas estavam dois homens e três mulheres, sendo uma delas grávida, além da menina de sete anos localizada neste domingo.
Patrícia Veiga, advogada do Consulado da Bolívia, informou que o órgão tenta viabilizar o transporte dos corpos para Oruro, na Bolívia. Segundo ela, esse foi um pedido feito pelas famílias das vítimas.
Um homem e outra menina de sete anos foram retirados dos escombros com vida. Os dois sofreram ferimentos leves, como contusões e escoriações, segundo o governo do estado.
Prefeitura aponta irregularidades na obra
O prefeito Ricardo Nunes (MDB) afirmou, no sábado, que a construção estava irregular. Segundo a Prefeitura, a obra começou em 2019 sem alvará e passou por diversas fiscalizações.
De acordo com Nunes, durante as fiscalizações foi identificado um problema estrutural. A Prefeitura também informou que a construção chegou a ser interditada, mas a empresa teria continuado os trabalhos mesmo após receber multas.
Em 2021, a Procuradoria-Geral do Município entrou com uma ação judicial para pedir a suspensão imediata da obra.
Projeto previa demolição da estrutura
A construtora apresentou um novo projeto em 2022 e recebeu um alvará em 2023. A autorização, segundo a Prefeitura, estabelecia que a estrutura existente deveria ser demolida.
Em 2024, uma vistoria realizada por uma servidora da Subprefeitura da Penha registrou que a demolição havia sido concluída. Após o desabamento, porém, técnicos municipais verificaram, com informações de vizinhos e imagens de satélite, que a estrutura não havia sido demolida.
A servidora foi afastada por 30 dias, segundo Daniel Falcão, controlador-geral do Município. A medida foi adotada para não interferir na investigação interna sobre a fiscalização realizada no imóvel.
Com o fim das buscas pelas vítimas, o local deverá passar por perícia. A Polícia Civil investiga as circunstâncias do desabamento e as possíveis irregularidades relacionadas à construção.
A Defesa Civil também avalia se as fortes chuvas que atingiram São Paulo contribuíram para a queda do edifício.







Deixe um comentário