Deputado Félix Mendonça é alvo de operação que investiga suspeita de desvios de emendas

Nova fase da Operação Overclean cumpre mandados na Bahia e em Brasília e determina bloqueio de R$ 24 milhões

A Polícia Federal deflagrou, nesta terça-feira (13), mais uma fase da Operação Overclean, que investiga um suposto esquema de desvio de emendas parlamentares, corrupção e lavagem de dinheiro. O principal alvo da ação é o deputado federal Félix Mendonça, do PDT da Bahia, apontado como figura central da organização criminosa sob apuração.

A ofensiva conta com o apoio da Controladoria-Geral da União e da Receita Federal, reforçando a atuação integrada dos órgãos de controle e investigação no combate a crimes envolvendo recursos públicos.

Mandados e decisões do STF

Ao todo, estão sendo cumpridos nove mandados de busca e apreensão, todos expedidos pelo Supremo Tribunal Federal. As diligências ocorrem em Brasília e em municípios da Bahia, incluindo Salvador, Mata de São João e Vera Cruz. Esta é a nona fase da operação, que se desdobra desde o fim de 2024.

Além das buscas, o STF determinou o bloqueio de aproximadamente R$ 24 milhões em contas bancárias vinculadas a pessoas físicas e jurídicas investigadas. A medida tem como objetivo interromper a circulação de valores considerados de origem ilícita e preservar recursos para eventual ressarcimento aos cofres públicos.

Como funcionava o esquema investigado

Segundo os investigadores, o esquema teria sido estruturado para desviar recursos oriundos de emendas parlamentares. O dinheiro público era direcionado a processos de licitação previamente manipulados. Servidores públicos facilitariam a vitória de empresas previamente escolhidas, que, ao executarem os contratos, inflavam os valores dos serviços prestados.

Com o superfaturamento, parte dos recursos retornava aos integrantes do grupo criminoso, caracterizando o desvio sistemático de verbas públicas. A atuação coordenada entre agentes públicos e empresas privadas é um dos pontos centrais da apuração conduzida pela Polícia Federal.

Os investigados poderão responder por uma série de crimes, entre eles organização criminosa, corrupção ativa e passiva, peculato, fraude em licitações e contratos administrativos, além de lavagem de dinheiro. As condutas, se comprovadas, envolvem diferentes etapas do uso irregular de recursos públicos e da ocultação da origem dos valores desviados.

Histórico da Operação Overclean

A Operação Overclean teve sua primeira fase deflagrada em dezembro de 2024. Na ocasião, foram cumpridos 59 mandados judiciais e 16 pessoas acabaram presas em ações realizadas na Bahia, em São Paulo e em Goiás. Desde então, a investigação vem avançando em etapas, com novos elementos sendo incorporados ao inquérito.

Com a nova fase, a Polícia Federal busca aprofundar o mapeamento do fluxo financeiro do esquema e esclarecer o papel de cada investigado, inclusive de agentes políticos com foro privilegiado. As apurações seguem sob a supervisão do Supremo Tribunal Federal.

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