Déficit das contas públicas chega a R$ 44,4 bilhões até maio e pressiona meta fiscal

Resultado do governo central é o pior para os cinco primeiros meses do ano desde 2020, mesmo com crescimento da arrecadação federal

As contas do governo central acumularam déficit de R$ 44,4 bilhões entre janeiro e maio de 2026, informou o Tesouro Nacional nesta segunda-feira (29). O resultado engloba as contas do Tesouro Nacional, da Previdência Social e do Banco Central.

O balanço final mostra que as despesas da União continuaram superando as receitas no período. É o pior desempenho para os cinco primeiros meses do ano desde 2020, considerando os valores corrigidos pela inflação.

Somente em maio, o déficit foi de R$ 53,3 bilhões. Trata-se do pior resultado para o mês desde 2024, quando o rombo havia alcançado R$ 66,6 bilhões, também em valores atualizados pela inflação.

A equipe econômica tem o desafio de equilibrar as contas públicas ao longo do ano, que estão com saldo negativo apesar do aumento da arrecadação tributária observado nos primeiros meses de 2026.

Receita cresce, mas despesas avançam em ritmo maior

Segundo o Tesouro Nacional, a receita líquida do governo registrou crescimento real de 4,8% entre janeiro e maio, já descontada a inflação. Na prática, isso representa um aumento de R$ 49,2 bilhões em relação ao mesmo período do ano anterior.

Entre os fatores que impulsionaram a arrecadação estão o aumento da receita com o Imposto de Renda, que cresceu R$ 13,1 bilhões, do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), com avanço de R$ 11,7 bilhões, e da Cofins, cuja arrecadação aumentou R$ 11,2 bilhões.

Também contribuíram para o desempenho positivo outras receitas administradas pela Receita Federal.

Por outro lado, o governo registrou queda de R$ 14,1 bilhões nas receitas provenientes de dividendos e participações de empresas estatais na comparação com os cinco primeiros meses de 2025.

Apesar da melhora nas receitas, o avanço dos gastos públicos foi ainda mais expressivo, impedindo uma redução do déficit fiscal.

Despesas cresceram 13% no acumulado do ano

As despesas do governo central tiveram crescimento real de 13% entre janeiro e maio, o equivalente a um aumento de R$ 55,2 bilhões em comparação com o mesmo período do ano passado.

Os principais responsáveis pela elevação dos gastos foram os benefícios previdenciários, que cresceram R$ 42,7 bilhões.

Também contribuíram para a expansão das despesas os gastos com pessoal e encargos sociais, que aumentaram R$ 19,2 bilhões, além das despesas com sentenças judiciais, que registraram alta de R$ 35,4 bilhões.

Outro componente importante foi a ampliação dos gastos discricionários — categoria que reúne despesas de custeio da máquina pública e investimentos — que avançaram R$ 35 bilhões no período.

Os números mostram que, embora a arrecadação tenha apresentado desempenho positivo, o crescimento das despesas ocorreu em ritmo significativamente superior.

Resultado de maio mantém pressão sobre as contas

Considerando apenas o mês de maio, a receita líquida do governo apresentou crescimento real de 5,5% em relação ao mesmo mês do ano anterior.

No entanto, as despesas avançaram ainda mais, registrando alta de 9,4%, o que contribuiu para o déficit de R$ 53,3 bilhões no período.

Entre os destaques positivos da arrecadação mensal estão os royalties e participações da exploração de petróleo, que renderam R$ 6,3 bilhões adicionais aos cofres públicos.

Em sentido contrário, as receitas provenientes de dividendos sofreram retração de R$ 7,3 bilhões na comparação anual.

Meta fiscal continua cercada por flexibilizações

A projeção oficial do Ministério da Fazenda, atualizada em 22 de maio, prevê que o governo central encerrará 2026 com déficit de R$ 60,3 bilhões.

Pelas regras do novo arcabouço fiscal, a meta estabelecida para este ano é alcançar superávit de R$ 34,3 bilhões.

Entretanto, a legislação prevê uma faixa de tolerância que permite resultado efetivo de até zero sem caracterizar descumprimento da meta.

Além disso, decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Congresso Nacional autorizaram a exclusão de até R$ 64,4 bilhões do cálculo do resultado primário.

Na prática, esse mecanismo permite que o governo registre déficit nas contas públicas e, ainda assim, considere a meta fiscal formalmente cumprida, desde que o resultado permaneça dentro dos limites previstos pelas regras vigentes.

Deixe um comentário

Mais recentes

Descubra mais sobre Agenda do Poder

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continue reading