A defesa de Alexandre Ceotto, empresário e ex-candidato a vice-prefeito de Niterói, pediu nesta semana a revogação da prisão preventiva decretada contra ele no âmbito da investigação sobre um furto milionário em um apart-hotel de luxo no bairro do Gragoatá. As informações são de O Globo.
Segundo o advogado Carlos Torres, Ceotto é inocente e não teve oportunidade de apresentar sua versão ou provas antes de se tornar alvo da chamada Operação Manto de Engano, deflagrada na terça-feira (13) pela Polícia Civil. A ação investiga o arrombamento de um apartamento no Hotel Orizzonte by Atlântica, de onde foram levados oito relógios de luxo.
“Já demos entrada em um pedido de revogação da prisão preventiva para tentar restabelecer a liberdade plena do Alexandre. Aí, sim, que ele responda ao processo, junte os documentos pertinentes que tem, para dar sua versão, e apresente todo o material para demonstrar sua inocência”, afirmou Torres.
O furto, classificado pela polícia como “cinematográfico”, foi cometido por um homem que entrou no prédio usando terno, luvas e uma máscara de silicone realista. O suspeito acessou o andar do apartamento por áreas restritas a funcionários e permaneceu cerca de 16 minutos no local, saindo sem levantar suspeitas. Após caminhar aproximadamente 300 metros, ele deixou a cena do crime com um carro previamente estacionado.
As investigações apontaram o advogado criminalista Luís Maurício Martins Gualda como autor do crime. Ele foi identificado por câmeras de segurança e, ao ser intimado, confessou a prática. Em seu depoimento à 76ª DP (Centro), Gualda afirmou que Ceotto foi o mentor intelectual do furto e que ambos planejavam dividir um suposto montante de US$ 1 milhão, que estaria escondido no imóvel da vítima — um amigo do empresário, com quem ele teria mantido negócios anteriores, incluindo a venda do próprio apartamento arrombado.
De acordo com o advogado de Ceotto, o processo corre em segredo de Justiça e o empresário não foi formalmente intimado para prestar esclarecimentos antes da decretação da prisão. “No transcorrer da diligência, nos deparamos com um decreto prisional que, em tese, estava vazio. Ele nunca foi chamado ao processo, nunca foi intimado para prestar esclarecimentos ou levar documentação”, alegou Torres.
Na manhã de terça-feira, a polícia cumpriu mandados de busca e apreensão na residência de Ceotto, em Icaraí, e também na casa de sua mãe, na Região Oceânica de Niterói. Ele teria acompanhado os agentes durante a ação, mas, após a expedição do mandado de prisão à tarde, não foi mais localizado, sendo considerado foragido desde então.
Ceotto, que em 2020 foi candidato a vice-prefeito de Niterói e havia anunciado pré-candidatura à prefeitura para 2024, agora responde por furto qualificado, assim como Gualda. A pena para o crime pode chegar a 12 anos de prisão. Gualda, por sua vez, foi exonerado de seu cargo de assessor do vereador Rogério Amorim (PL), na Câmara Municipal do Rio de Janeiro, um dia após confessar o crime.
A Polícia Civil segue investigando o caso e busca localizar o empresário para cumprimento do mandado judicial.





