De ‘1968’ a ‘Cidade partida’: relembre obras que marcaram a carreira de Zuenir Ventura

Jornalista transformou episódios da história brasileira, violência urbana e personagens como Chico Mendes em livros que se tornaram referências

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O jornalismo brasileiro perdeu nesta terça-feira (22) um de seus nomes mais conhecidos. Aos 95 anos, morreu Zuenir Ventura, jornalista, escritor e integrante da Academia Brasileira de Letras (ABL). A morte foi confirmada pela família.

Ao longo de mais de 60 anos de carreira, Zuenir acompanhou momentos marcantes da história do país e levou para livros e reportagens temas como a ditadura militar, a violência urbana, a desigualdade social e a defesa do meio ambiente.

Conheça as obras de Ventura

Entre seus trabalhos mais conhecidos estão 1968 — O ano que não terminou, Chico Mendes — Crime e castigo e Cidade partida.

Publicado em 1988, 1968 — O ano que não terminou revisita um dos períodos mais turbulentos da história do Brasil e do mundo. Zuenir recuperou acontecimentos políticos e culturais daquele ano, marcado pela repressão da ditadura militar e pela mobilização de diferentes setores da sociedade.

O livro foi lançado duas décadas depois dos acontecimentos e se tornou uma referência sobre o período. A obra também serviu de inspiração para a minissérie Anos Rebeldes, exibida pela TV Globo.

A investigação sobre Chico Mendes

Após o assassinato de Chico Mendes, em dezembro de 1988, Zuenir passou um mês investigando o crime para o Jornal do Brasil. A série de reportagens sobre o seringueiro e líder ambientalista recebeu os prêmios Esso e Vladimir Herzog de Jornalismo.

Anos depois, em 2003, o material foi ampliado e publicado em livro com o título ‘Chico Mendes — Crime e castigo’. A obra levou para o formato de livro parte da investigação que havia sido realizada originalmente para o jornal.

O Rio de ‘Cidade partida’

A violência urbana e a desigualdade social foram o ponto de partida para outro dos livros mais conhecidos do jornalista. Em Cidade partida, publicado em 1994, Zuenir voltou sua atenção para Vigário Geral, na Zona Norte do Rio, depois da chacina que matou 21 pessoas em 1993.

Para produzir a obra, o jornalista esteve diversas vezes na comunidade e acompanhou moradores e organizações da sociedade civil que atuavam contra a violência. O livro abordou as diferenças socioeconômicas entre partes da cidade e recebeu o Prêmio Jabuti no ano de seu lançamento.

Zuenir também retomou o período de 1968 em 1968: O que fizemos de nós, publicado em 2008. Vinte anos depois de sua primeira obra sobre aquele momento histórico, ele voltou aos ideais e comportamentos daquela geração para investigar o que havia permanecido ao longo das décadas.

O livro aborda transformações e debates relacionados ao feminismo, ao movimento negro, ao movimento gay, ao ambientalismo, às drogas e aos costumes.

Personagens da própria trajetória

Em Minhas histórias dos outros, Zuenir reuniu personagens que fizeram parte de sua trajetória profissional e pessoal. A obra ganhou uma versão ampliada e, em 2022, rendeu ao jornalista o Prêmio Faz Diferença, de O Globo, na categoria livros.

Entre os personagens lembrados estão nomes como Glauber Rocha, Nelson Rodrigues, Betinho e Carlos Drummond de Andrade.

Trajetória

Ao longo de mais de seis décadas, Zuenir passou por veículos como Tribuna da Imprensa, Correio da Manhã, O Cruzeiro, Visão, Veja, IstoÉ e Jornal do Brasil. Em 1999, tornou-se colunista de O Globo. Em 2014, foi eleito para a Academia Brasileira de Letras, ocupando a cadeira que havia pertencido a Ariano Suassuna.

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