Daniela Teixeira ganha força no Planalto para vaga no STF após crise com Messias

Com dificuldades para avançar com o nome de Jorge Messias no Senado, aliados de Lula passaram a defender a indicação da ministra Daniela Teixeira, do STJ, para ocupar cadeira no Supremo Tribunal Federal

A disputa pela próxima vaga no Supremo Tribunal Federal (STF) ganhou um novo capítulo nos bastidores de Brasília. Integrantes do Palácio do Planalto passaram a defender o nome da ministra Daniela Teixeira, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), para substituir o ministro Luís Roberto Barroso, aposentado desde 2025. A mudança de cenário ocorre em meio à resistência política enfrentada pelo advogado-geral da União, Jorge Messias, cuja indicação perdeu força no Senado.

Segundo informações publicadas pelo blog de Gerson Camarotti, do G1, aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva avaliam que a escolha de Daniela Teixeira pode reduzir desgastes políticos e ampliar a aceitação da futura indicação tanto no STF quanto entre senadores.

A avaliação dentro do governo é que Lula precisaria evitar uma nova derrota política após a sinalização do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, de que o nome de Jorge Messias não teria apoio suficiente para avançar neste ano. Interlocutores próximos ao presidente consideram arriscado manter a vaga aberta por um longo período apenas para insistir em um nome que enfrenta resistências.

Pressão por perfil técnico

A possível indicação de Daniela Teixeira também atende a uma cobrança interna no governo e em setores do PT para que Lula escolha uma mulher para o Supremo. Além disso, integrantes do Planalto enxergam na ministra um perfil mais técnico e menos sujeito a embates políticos.

Ao optar inicialmente por Jorge Messias, Lula teria priorizado a relação de confiança e lealdade construída ao longo dos últimos anos. No entanto, a dificuldade em consolidar apoio no Senado acabou abrindo espaço para novas articulações dentro do governo.

Um interlocutor ouvido pelo blog afirmou que o momento exige uma escolha “segura” e sem turbulências políticas. A avaliação é que um nome vindo do STJ poderia facilitar o diálogo institucional e reduzir resistências no Congresso.

Impasse no Senado

Nos bastidores, aliados de Jorge Messias ainda tentam manter viva a possibilidade de sua indicação ao STF. Mesmo assim, a leitura predominante no Planalto é de que o ambiente político se tornou desfavorável.

Uma resolução do Senado de 2010 chegou a ser resgatada nos debates internos para reforçar a dificuldade de reapresentar, em 2026, um nome já rejeitado politicamente pela Casa.

Enquanto isso, defensores de Daniela Teixeira afirmam que prolongar indefinidamente a definição da vaga pode gerar desgaste desnecessário para o governo e ampliar a pressão sobre Lula.

A movimentação em torno da ministra do STJ sinaliza uma possível mudança de estratégia do presidente na composição do Supremo, em um momento em que o governo busca reduzir atritos com o Congresso e fortalecer pontes institucionais.

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