Integrantes da alta cúpula das Forças Armadas avaliam que ainda existe a possibilidade de o general Mario Fernandes tentar firmar um acordo de delação premiada com a Justiça. Apesar de a defesa do militar negar qualquer negociação nesse sentido, lideranças militares acreditam que, ao perceber que está “isolado” e “sem apoio”, ele poderá considerar essa alternativa.
A colunista do Globo Bela Megale lembra que Fernandes é o único general do Exército em prisão preventiva no âmbito do inquérito conduzido pela Polícia Federal. Ele é acusado de ser um dos mentores de um plano golpista que incluía o assassinato de figuras como o presidente Lula, o vice-presidente Geraldo Alckmin e o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes. O esquema, chamado de “Punhal Verde e Amarelo”, teria sido arquitetado para desestabilizar a ordem democrática.
O general ocupou a posição de número dois na Secretaria-Geral da Presidência durante o governo de Jair Bolsonaro. Para integrantes das Forças Armadas, as acusações contra Fernandes são graves e indefensáveis, o que contribui para seu crescente isolamento dentro e fora das instituições militares.
Membros das Forças Armadas avaliam que o caso de Fernandes é um dos mais graves, com provas contundentes sobre o plano de golpe. Para eles, é certo que ninguém da caserna fará gestos para auxiliar o general.
No meio militar, porém, existe a leitura de que alguns integrantes das Forças conseguirão apresentar argumentos para se defender. É essa a avaliação feita, por exemplo, sobre o ex-ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), o general Augusto Heleno. Como informou a coluna, ele usará a tese de defesa de que estaria escanteado do governo desde a entrada do centrão. Para a PF, no entanto, Heleno é peça central no plano do golpe.
Sobre Mario Fernandes, os integrantes das Forças veem a delação premiada como um dos poucos caminhos que ele tem a trilhar.





