A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) convocou a Unimed Nacional para uma reunião nesta quarta-feira (19), às 10h, após a operadora registrar o maior prejuízo do setor de planos de saúde em 2024, totalizando R$ 503 milhões. A agência busca esclarecimentos sobre as finanças da cooperativa e possíveis medidas para garantir a sustentabilidade do atendimento aos beneficiários, informa Miriam Leitão, em O Globo.
O diretor de Normas e Habilitação das Operadoras da ANS, Jorge Aquino, destacou que, apesar do impacto financeiro causado pela obrigação judicial de assumir carteiras deficitárias de outras Unimeds, há falhas estruturais na governança do sistema. Segundo ele, o modelo cooperativo não prevê um rateio imediato das perdas, o que gera um efeito acumulativo negativo.
“As Unimeds precisam aprimorar sua governança. Hoje, os prejuízos não são distribuídos entre os cooperados no momento em que ocorrem, criando um efeito bola de neve. Enquanto os lucros, quando existem, são repassados aos médicos, as perdas não são divididas na mesma proporção. Nossa preocupação é garantir que os consumidores tenham atendimento adequado e, por isso, chamamos a Unimed Nacional para discutir soluções”, explicou Aquino.
Aporte financeiro para tentar evitar intervenção
Para tentar equilibrar suas contas e evitar uma intervenção da ANS, a Unimed Nacional fechou, em janeiro, um acordo para receber um aporte de R$ 1 bilhão de 300 cooperativas médicas regionais. No entanto, a agência reguladora ainda avalia os desdobramentos dessa medida e sua eficácia a longo prazo. Procurada, a Unimed Nacional não se manifestou sobre a reunião.
Aquino também mencionou a situação da Cabesp, autogestão ligada ao extinto Banco do Estado de São Paulo, que apresentou um prejuízo contábil de R$ 1,5 bilhão. Segundo ele, esse déficit decorre de uma reavaliação patrimonial e não reflete um problema financeiro real. “A Cabesp tem um patrimônio sólido de R$ 12 bilhões, então o maior prejuízo operacional do setor é, de fato, da Unimed Nacional”, afirmou.
Cassi teve prejuízo de R$ 469,7 milhões
Além da Unimed, o setor de planos de autogestão também enfrenta dificuldades. A Cassi, dos funcionários do Banco do Brasil, teve um resultado negativo de R$ 469,7 milhões, enquanto a Geap, que atende servidores públicos, registrou um déficit de R$ 27 milhões. O segmento de autogestão foi o único a apresentar prejuízo como um todo, somando um déficit de R$ 2,1 bilhões.
Diante desse cenário, Aquino destacou a necessidade de mudanças regulatórias. “As autogestões precisam de mais recursos, mas os usuários dificilmente terão capacidade de aumentar suas contribuições. Já foi cogitada a abertura desses planos para o mercado geral, mas estudos indicam que essa alternativa não resolveria os problemas financeiros do setor. Outras soluções precisam ser discutidas”, concluiu.





