RICARDO BRUNO
A desintegração precoce da frente de partidos de centro-direita em torno da candidatura de Alexandre Ramagem pode levar o PL a convocar o reserva mais qualificado de seu plantel para representa-lo na disputa: o senador Carlos Portinho. A substituição tiraria de campo um bolsonarista raiz, investigado pela Polícia Federal por ações irregulares e criminosas à frente da ABIN, para em seu lugar entrar um bolsonarista civilizado, com características mais amplas, capaz de reaglutinar as siglas dispersas pela absoluta incapacidade de diálogo de Ramagem.
O presidente do PL fluminense, deputado Altineu Cortes, garante que Ramagem é o candidato. Nada teria sido alterado, a despeito das graves denúncias contra o ex-chefe de Abin e da surpreendente dispersão dos partidos aliados. Para ter convicção da higidez eleitoral do ex-delegado, o PL encomendou uma bateria de pesquisas que irão a campo nos primeiros dias de março.
– Mesmo sem o apoio desses partidos, o PL sozinho tem 20% dos votos. Ramagem só não será candidato se não quiser – garante.
O dirigente partidário admite, contudo, que o nome mais preparado para eventualmente substituir o ex-delegado é o do senador Portinho.
As declarações de Altineu Cortes devem ser tomadas com cautela. Os resultados das pesquisas podem levar o partido a alterar o plano de voo. A possibilidade não está descartada, admite uma fonte com trânsito junto à direção nacional.
A investigação da Polícia Federal não foi concluída. Ramagem pode ser alvo de outras operações e teria de se dividir entre a necessidade de se defender e a rotina de campanha. A conjugação entre as duas tarefas seria dificílima, fragilizando perigosamente a candidatura.
Acresce-se a isto o fato de Ramagem não poder ter contato com os dois principais avalistas de sua empreitada eleitoral: o vereador Carlos e o próprio ex-presidente Bolsonaro. O script inicial previa a atuação do filho 02 como o responsável pelas maquinações e estratégias de campanha nas redes sociais. Também o presidente Valdemar Costa Neto não poderá manter contato com o pré-candidato. A situação dificulta a rotina de campanha e reduz as chances de êxito do ex-chefe da Abin.





