A CPI do 8 de janeiro aprovou nesta terça-feira (11) a quebra dos sigilos bancário, fiscal, telefônico e telemático do ex-diretor-geral da PRF (Polícia Rodoviária Federal) Silvinei Vasques entre 1º de janeiro do ano passado e 30 de abril deste ano.
Silvinei foi convocado a prestar depoimento no mês passado por causa das fiscalizações em rodovias federais no segundo turno das eleições. A suspeita é de que, sob comando dele, a PRF tenha tentado dificultar a chegada de eleitores de Lula (PT) às urnas.
Desde o ano passado, o ex-diretor da PRF é investigado por três atos, todos relacionados a um possível favorecimento ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) durante a campanha eleitoral. Ele foi exonerado do cargo no dia 20 de dezembro.
Além da suspeita em torno da operação da PRF —sobretudo em cidades da região Nordeste—, Silvinei declarou voto em Bolsonaro na manhã do segundo turno, e é acusado de ter sido leniente durante o bloqueio de estradas após a vitória de Lula.
Essa deve ser a última sessão da CPI antes do recesso. Oficialmente, a folga só começa na próxima terça-feira (18), mas o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), antecipou as “férias” — que, pela lei, nem poderiam ser tiradas agora porque o projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias não foi votado.
O tenente-coronel Mauro Cid, principal ajudante de ordens de Bolsonaro, presta depoimento à comissão nesta terça, mas anunciou no começo da sessão que ficará calado diante das perguntas. Ele chegou fardado à CPI — contrariando a expectativa de integrantes do Ministério da Defesa e das Forças Armadas.
A CPI também quebrou os sigilos telefônico e telemático do coronel do Exército Jean Lawand Júnior de 2022 até a data de hoje. Em mensagens com tom golpista apreendidas pela Polícia Federal, Lawand Júnior pedia para que Cid convencesse o então presidente a dar uma “ordem” ao Exército.
Outro alvo da CPI foi George Washington de Oliveira Sousa, preso e condenado por planejar o atentado a bomba em um caminhão de combustível perto do aeroporto de Brasília em dezembro, dias antes da posse presidencial.
Assim como Silvinei Vasques, ele teve os sigilos bancário, fiscal, telefônico e telemático quebrados de 2022 até agora. Quase 100 requerimentos —entre quebras de sigilo e pedidos de informação— foram aprovados em bloco, sem a contagem de votos.
A CPI também solicitou relatórios de inteligência financeira do coronel da Polícia Militar do Distrito Federal Jorge Eduardo Naime. Naime era chefe do Departamento Operacional da PM na data da invasão aos Poderes, mas estava de folga. Ele está preso desde fevereiro.
Com informações da Folha de S. Paulo.





