O presidente da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito que apura fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social, senador Carlos Viana (Podemos-MG), anunciou nesta quarta-feira (28) a convocação do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, para prestar depoimento à CPMI no dia 5 de fevereiro. A oitiva faz parte da estratégia do colegiado para aprofundar as investigações sobre descontos irregulares aplicados a benefícios previdenciários.
Além de Vorcaro, a comissão também convocou Luiz Félix Cardamone Neto, presidente do Banco BMG. Segundo Viana, a CPMI trabalha ainda para tentar reverter uma decisão judicial que garantiu ao empresário Maurício Camisotio, investigado no caso, o direito de não comparecer à comissão.
Em publicação nas redes sociais, o senador afirmou que a comissão seguirá buscando todos os instrumentos legais para assegurar a apuração dos fatos. “A CPMI seguirá adotando todas as medidas legais cabíveis para assegurar que ninguém se esconda atrás de decisões provisórias e que os fatos sejam plenamente esclarecidos diante do povo brasileiro”, escreveu.
Depoimentos para destravar os trabalhos
A convocação de Vorcaro ocorre em um momento em que a CPMI busca retomar força política após um período de menor atividade. Como mostrou a Folha, o colegiado aposta em depoimentos de banqueiros para dar novo impulso às investigações, que voltam à agenda na próxima semana com o início do ano legislativo.
Na última reunião de 2025, realizada em 4 de dezembro, os parlamentares aprovaram a convocação de Daniel Vorcaro para depor. Na mesma sessão, foi autorizada a quebra dos sigilos bancário, fiscal e telemático do ex-banqueiro, além de solicitado ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras a elaboração de um relatório detalhado sobre suas movimentações financeiras.
Avaliação do rumo da CPMI
Na ocasião, Carlos Viana afirmou que o mês de fevereiro será decisivo para a avaliação do andamento da comissão e dos próximos passos das investigações. Segundo ele, o colegiado analisará se ainda são necessárias novas oitivas no âmbito das entidades responsáveis pelos descontos ou se já há elementos suficientes para avançar com foco direto nas instituições financeiras.
“Se entendermos que outras oitivas ou depoimentos precisam ser feitos [para investigar descontos de entidades], vamos retomar. Se nós entendermos que ali já tem embasamento suficiente para encerarmos definitivamente, aí avançamos em direção a bancos”, declarou o senador em entrevista à Folha.
Viana apontou o Banco Master como principal foco dessa etapa, seguido pelo Banco BMG. “O principal deles é o Master. O segundo, o BMG, que é o mais antigo e, naturalmente, o que mais fez contratos”, afirmou.
Disputa judicial sobre quebras de sigilo
A defesa de Daniel Vorcaro tentou anular as quebras de sigilo aprovadas pela CPMI, mas os pedidos foram negados pelo ministro Dias Toffoli. Em decisão provisória, o magistrado determinou que o material já reunido fosse encaminhado à Presidência do Senado até um posicionamento definitivo do Supremo Tribunal Federal.
Com isso, permaneceram válidas tanto as quebras de sigilo deliberadas pela comissão parlamentar quanto aquelas autorizadas pelo juízo criminal de origem.
Prisão e operação da Polícia Federal
O nome de Vorcaro ganhou ainda mais destaque após a deflagração da operação Compliance Zero, que resultou em sua prisão, em novembro, no mesmo período em que o Banco Central decretou a liquidação do Banco Master. A investigação apura suspeitas de fraudes relacionadas à emissão de títulos de crédito falsos pela instituição financeira.
O ex-banqueiro foi solto no dia 28, mas permanece sob monitoramento eletrônico, utilizando tornozeleira, enquanto as investigações seguem em curso tanto no âmbito criminal quanto no Legislativo.






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