A CPI mista do INSS aprovou, nesta terça-feira (26), a convocação de ex-ministros da Previdência, ex-presidentes do instituto e figuras ligadas a denúncias de fraudes, entre eles o empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”.
Na lista também estão Carlos Lupi, que comandou a pasta da Previdência no governo Lula até maio deste ano, e Carlos Gabas, ex-ministro durante os governos Dilma Rousseff. Outro nome confirmado é o do advogado Eli Cohen, responsável por levar a público denúncias de irregularidades no órgão.
Ao todo, 34 convites para depoimentos
Do lado do bolsonarismo, o colegiado decidiu chamar José Carlos Oliveira, último ministro do Trabalho e Previdência de Jair Bolsonaro, além do ex-ministro Onyx Lorenzoni.
Também foram incluídos diversos ex-presidentes do INSS que se revezaram no comando da autarquia nos últimos anos, como Renato Rodrigues Vieira, Alessandro Stefanutto, Glauco Wamburg e Guilherme Serrano. Ao todo, foram aprovados 34 convites para depoimentos.
O relator da comissão, deputado Alfredo Gaspar (União-AL), apresentou seu plano de trabalho na primeira reunião após assumir o posto. A proposta prevê investigar possíveis fraudes em benefícios pagos pelo INSS desde 2015, abrangendo o segundo mandato de Dilma Rousseff até a atualidade. Segundo Gaspar, o objetivo é apurar como esquemas de corrupção e falhas administrativas teriam afetado a gestão do sistema previdenciário.
Governistas resistiram à convocação de ministros de Dilma
A inclusão do governo Dilma como marco inicial gerou tensão entre governistas, que inicialmente ameaçaram rejeitar o plano. O impasse foi resolvido após um acordo que impediu votações em bloco de requerimentos, evitando, segundo os parlamentares, uma concentração excessiva de poder no presidente da CPI, senador Carlos Viana (Podemos-MG).
Outro ponto negociado foi a forma de convocação: ministros e ex-ministros serão inicialmente convidados, e só em caso de recusa é que se transformará em convocação obrigatória.
A CPI, instalada em 20 de agosto, tem potencial de mobilizar atores políticos de diferentes partidos e governos, expondo fragilidades acumuladas ao longo da última década na condução da Previdência Social. Os primeiros depoimentos devem ser marcados para as próximas semanas.
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