Entre as 61 pessoas que tiveram seus indiciamentos pedidos no relatório final da CPMI dos atos golpista de 8 de janeiro, está a deputada Carla Zambelli (PL-SP). O documento detalha o envolvimento da parlamentar na articulação e disseminação de informações falsas durante os eventos que abalaram a democracia brasileira. Alguns personagens, porém, foram citados pela relatora, a senadora Eliziane Gama (PSD-MA), mas sem pedido de indiciamento. Nestes casos, a senadora solicitou o aprofundamento das investigações pelas autoridades competentes.
Entre essas pessoas estão o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB); o hacker Walter Delgatti Neto; o advogado e consultor jurídico Amauri Feres Saad; e o assessor jurídico da Presidência e procurador federal Renato Lima de França.
Também foi poupado o ex-ministro chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), Gonçalves Dias, o GDias. Sobre ele, Eliziane afirma estar ausente o dolo em sua conduta: “Não se pode igualar a sua conduta àquelas dos seus subordinados (…) já que efetivamente no cargo havia apenas sete dias, ao passo que os seus inferiores hierárquicos eram evidentemente conhecedores de informações privilegiadas a respeito do risco concreto de danos ao Palácio do Planalto, e que optaram dolosamente por se omitir, quando tinham a obrigação normativa de agir para evitar o resultado”, argumenta a relatora.
Alvo da minoria oposicionista na CPMI, o ministro da Justiça e Segurança Pública, Flávio Dino, não foi indiciado pela relatora. As citações ao ex-governador do Maranhão se restringem a transcrições de mensagens trocadas entre ele e outros atores.
No caso de Zambelli, “uma das parlamentares mais atuantes no bolsonarismo”, sempre aderiu às narrativas criadas por Jair Messias Bolsonaro para atacar as instituições brasileiras, mesmo sem apresentar qualquer prova. O texto revela que a deputada “foi diretamente responsável por apresentar o hacker Walter Delgatti Neto, envolvido na Operação Spoofing, a autoridades de alto relevo do governo federal”.
“É inegável que a deputada federal Carla Zambelli, abusando de suas prerrogativas parlamentares, difundiu informações falsas a respeito do processo eleitoral. Entretanto, seu fim maior não era o de simplesmente questionar as urnas eletrônicas, mas se utilizar da aparente dúvida maliciosamente incutida na população a respeito da lisura do pleito para que o plano golpista de Jair Messias Bolsonaro – do qual sempre fez parte – fosse colocado em prática”, destaca trecho do relatório.
O relatório aponta que Zambelli solicitou que Delgatti invadisse o e-mail e o telefone celular do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes. Após a impossibilidade dessa invasão, ela teria proposto que Delgatti invadisse os sistemas do Poder Judiciário, o que foi realizado. O hacker chegou a expedir um falso mandado de prisão contra si próprio, sugerido pela deputada, no qual constava a assinatura do ministro Alexandre de Moraes.
De acordo com o relatório, a conduta da deputada Carla Zambelli foi pautada exclusivamente pelo que o “bolsonarismo” acreditava, contribuindo decisivamente para os eventos do dia 8 de janeiro de 2023. O documento conclui que a parlamentar deve ser responsabilizada pelos crimes descritos nos artigos 288 (associação criminosa), 359-L (abolição violenta do Estado Democrático de Direito) e 359-M (Golpe de Estado) do Código Penal, por sua adesão subjetiva às condutas criminosas de Jair Messias Bolsonaro e demais indivíduos em seu entorno.
Com informações de Metrópoles e Brasil 247
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