Cosud: governadores criticam decisões judiciais e defendem penas mais duras

Participaram também os parlamentares Doutor Luizinho e Guilherme Derrite; participantes trataram de estratégias de combate ao crime

Em debate mediado pelo jornalista Claudio Magnavita no Consórcio de Integração Sul e Sudeste (Cosud) nesta sexta-feira (05), os governadores Cláudio Castro (PL), Tarcísio de Freitas (Republicanos), Romeu Zema (Novo), e os deputados federais Dr. Luizinho (PP) e Guilherme Derrite (Progressistas) — relator do PL Antifacção — defenderam o endurecimento penal, criticaram decisões judiciais e trataram de estratégias de combate ao crime organizado.

Dr. Luizinho destacou a necessidade de penas mais altas que, segundo ele, desestimulam o crime organizado, afirmando que o sistema de segurança precisa olhar “tanto para o presente quanto para o futuro”. Ele também mencionou programas de planejamento familiar no Rio, relacionando natalidade e vulnerabilidade ao aliciamento pelo tráfico.

“O que queremos com penas muito altas é que não pratiquem o crime, é que o jovem olhe aquilo e veja que não vale a pena. Temos que olhar a segurança pública sob a ótica do que acontece na atualidade e pode acontecer no futuro”, disse.

Guilherme Derrite apresentou o projeto antifacção, explicando que a criação de uma lei autônoma permitiu um marco mais robusto, com 11 novos tipos penais, que podem chegar a 40 anos e regras rígidas de progressão.

Segundo ele, todos os crimes hediondos passariam a exigir cumprimento mínimo de 70% da pena em regime fechado, com monitoramento integral e sem visitas íntimas. Derrite criticou o governo federal, decisões do Judiciário e a reincidência elevada, afirmando que “o povo não aguenta mais prender 15 vezes o mesmo criminoso”.

“Não vamos aceitar, se tiver entre as mudanças, por exemplo, redução de penas. O povo não aguenta mais prender 15 vezes o mesmo cara que rouba celular”, afirmou o deputado.

‘Porteira aberta’

Romeu Zema reforçou que o combate ao crime é prioridade em Minas Gerais, dizendo que sua gestão conteve o avanço do banditismo no estado. Segundo ele, antes “a porteira estava aberta”, mas agora o governo não tolera invasões de terras nem crescimento territorial de facções.

“Nós, governadores de direita, temos conseguido impedir que o crime avance mais. Tenho orgulho de dizer que em Minas o crime organizado não toma conta de nenhum quarteirão. Cometem crimes, vendem drogas, mas o domínio, como ocorre em outros lugares, nós conseguimos segurar”.

Tarcísio de Freitas elogiou o Cosud e as forças de segurança de São Paulo, exaltando o trabalho de Derrite e os índices recordes de redução da criminalidade, além de parabenizar Cláudio Castro pelas operações no Rio, afirmando que o estado “deu a devida resposta” ao crime organizado.

“Vocês libertaram o cidadão de bem. A asfixia ao crime organizado tem sido de grande importância”, falou a Castro.

Freitas criticou também o que chamou de “aberrações no Judiciário”. “Às vezes prendemos o mesmo criminosos 30 vezes, que rouba um celular, um bem tão importante. Como que solta? A gente tá gastando recurso, tempo. A gente precisa, e o cidadão de bem já percebeu isso, de endurecimento de pena”.

Megaoperação foi um dos assuntos do dia

Cláudio Castro, por sua vez, falou sobre a Operação Contenção e a mudança de percepção pública e midiática após sua deflagração. O governador afirmou que, entre 2021 e 2024, o Rio alcançou alguns dos melhores indicadores de segurança já registrados, mesmo sem integração plena entre as forças.

“Fiquei anos ouvindo pra ir pra São Paulo aprender com Tarcísio. Agora inverteu, falam pra eu ensinar pro Tarcísio. E São Paulo, hoje, celebra os melhores números da históiria. Entra muito essa questão da politização, que é um erro terrível. Não é uma operação que me faz ser o grande especialista do Brasil. Óbvio que há o elemento da recuperação da esperança, da ideia que se saiu de um processo de inércia. A narrativa mudou, o apoio mudou. A polícia passa a ser valorizada e ter a credibilidade”, destacou Castro.

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