Pivô das investigações sobre o esquema de rachadinha envolvendo o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), o policial militar reformado Fabrício Queiroz segue com presença na estrutura pública, oito anos após o caso vir à tona. Desde o ano passado, ele ocupa o cargo de subsecretário de Segurança e Ordem Pública em Saquarema, na Região dos Lagos.
A nomeação ocorreu após articulação política com o ex-prefeito Antonio Peres, aliado do PL no município. Interlocutores apontam que o movimento contou com o aval de Flávio Bolsonaro, após tentativa frustrada de acomodar Queiroz em Campos dos Goytacazes, ainda na gestão do então prefeito Wladimir Garotinho.
Rede de influência e articulações
Além do cargo na prefeitura, Queiroz também conseguiu espaço para o filho, Felipe, que passou a atuar como assessor na Secretaria estadual de Ciência e Tecnologia, comandada pelo deputado Anderson Moraes (PL).
A relação de Queiroz com Saquarema não é recente. Ele já frequentava o município desde a campanha de 2018, quando acompanhava Flávio Bolsonaro na organização de candidaturas. Naquele período, construiu vínculos locais e chegou a inserir o filho em atividades esportivas na cidade.
Nos bastidores políticos, há a avaliação de que a função pública contribui para dar estabilidade ao ex-assessor, que em 2022 manifestou insatisfação por se sentir abandonado durante sua candidatura frustrada a deputado estadual. Procurado, Queiroz afirmou que foi orientado pela prefeitura a não conceder entrevistas e disse que evita se manifestar por se tratar de um ano eleitoral.

Atuação na segurança municipal
Na estrutura da prefeitura, Queiroz passou a exercer papel ativo na área de segurança. Ele supervisiona a Guarda Municipal e participa de agendas públicas. Em eventos recentes, esteve ao lado de autoridades como o deputado Douglas Ruas e o ex-governador Cláudio Castro.
O ex-assessor também já defendeu o uso de armas de fogo pela Guarda Municipal, proposta que ainda não avançou. A secretaria implantou uma ronda ostensiva municipal com características semelhantes às da Polícia Militar. No início deste ano, Queiroz renovou o porte de arma, embora interlocutores locais afirmem que ele não costuma circular armado.
Histórico do caso rachadinha
Queiroz foi denunciado pelo Ministério Público do Rio como operador de um esquema de recolhimento ilegal de salários de assessores no gabinete de Flávio Bolsonaro na Assembleia Legislativa do Rio. O processo acabou sendo arquivado na esfera criminal após decisões judiciais que anularam provas, em meio a disputas sobre a instância responsável pelo julgamento.
Durante o andamento do caso, surgiram versões divergentes. Flávio Bolsonaro afirmou que o ex-assessor tinha autonomia na gestão dos funcionários. Já Queiroz declarou à Justiça que os repasses ocorreram sem o conhecimento do então deputado. O Ministério Público contestou essa versão, apresentando mensagens que indicariam a prestação de contas a superiores e registros de depósitos ligados ao período investigado.
Apesar do histórico, ambos voltaram a demonstrar proximidade política. Durante a campanha de 2024, Flávio esteve em Saquarema, pediu votos para Queiroz e o apresentou como aliado político. O senador não comentou o assunto mais recentemente.
Em nota, a prefeitura de Saquarema informou que a nomeação de Queiroz seguiu critérios técnicos, destacando sua experiência de 30 anos na Polícia Militar. Já a Secretaria estadual de Ciência e Tecnologia não respondeu sobre a atuação de Felipe Queiroz na pasta.






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