Cortejo leva Arlindo Cruz ao Cemitério Jardim da Saudade após 16 horas de velório marcado por música e emoção

Cerimônia seguiu rituais do candomblé e último desejo do sambista, com quadra cheia, churrasco e rodas de samba

Após 16 horas de velório na quadra do Império Serrano, o corpo de Arlindo Cruz deixou o local por volta das 9h30 desta manhã, em cortejo até o Cemitério Jardim da Saudade, onde será sepultado. A despedida reuniu familiares, amigos, admiradores e grandes nomes do samba, em uma cerimônia marcada por música, emoção e homenagens.

Seguindo os rituais do candomblé, religião de Arlindo e de sua família, o velório ocorreu em formato de gurufim, com pedido para que todos usassem roupas claras. A atmosfera uniu a dor da perda à celebração da vida e da obra do artista, respeitando seu último desejo.

“É a despedida do jeito que ele pediu. Quadra cheia, cerveja liberada pro povo, churrasco… Por mais difícil que fosse fazer isso tudo, não podia não fazer o que ele pediu”, disse o filho, o sambista Arlindinho. “Vamos comer, se divertir, lembrar dele com alegria e fazer essa alma encontrar luz quanto antes porque ele merece.”

Um dos momentos mais marcantes ocorreu quando familiares — incluindo a viúva, Babi Cruz, e os filhos — se reuniram ao lado do caixão para cantar. Arlindinho empunhou o cavaquinho enquanto Maria Rita, amiga próxima, interpretou “O que é o amor”, clássico de Arlindo que regravou em sua carreira. Canções emblemáticas como “O Meu Lugar” e “O Show Tem Que Continuar” foram entoadas em coro pelo público que lotou a quadra.

Visivelmente emocionada, Flora Cruz consolou a mãe e falou sobre a força do pai. “Tenho muito orgulho da minha família, da minha mãe, ela foi uma mulher incansável. Estivemos com ele, eu e ela, até o último momento, até a última respirada. Pedi pra ele descansar, confiar na espiritualidade que manteve ele até ali, porque era o momento. Na próxima vida, quero ser filha de novo.”

O adeus contou com a presença de amigos famosos, entre eles Zeca Pagodinho, Regina Casé, Thiago Martins, Erika Januza e Quitéria Chagas, rainha de bateria do Império Serrano. Quitéria lembrou o carinho que recebia do compositor: “Ele me chamava de eterna rainha de bateria. Era muito generoso.”

O cortejo seguiu em clima de reverência e emoção, encerrando uma despedida que refletiu a essência do sambista: alegria, generosidade e amor pela música e pelo povo.

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