A Corregedoria da Polícia Militar de São Paulo prendeu nesta quarta-feira (4) três policiais suspeitos de prestar segurança privada a empresários investigados por ligação com o PCC. A ação resultou na apreensão de R$ 1 milhão em dinheiro encontrado na casa de um sargento da reserva, em Interlagos, na Zona Sul da capital.
Além do sargento aposentado, foram detidos um policial da ativa e o capitão Alexandre Paulino Vieira. Ao todo, a operação cumpriu 16 mandados de busca e apreensão em endereços ligados aos investigados.
Os investigadores apuram como os três passaram a atuar como seguranças de Luiz Carlos Efigênio Pacheco, conhecido como “Pandora”, e de Cícero de Oliveira, o “Té”. Ambos são ligados à Transwolff, empresa de ônibus que é alvo de investigação do Ministério Público por suspeita de conexão com a facção.
Operação Kratus e as prisões
A apreensão do dinheiro foi o principal flagrante da Operação Kratus, conduzida pela Corregedoria da PM. O valor estava escondido no imóvel do sargento da reserva, segundo os investigadores.
Pandora era presidente da Transwolff, enquanto Té figurava como diretor e acionista. Os dois empresários respondem ao processo em liberdade, e a empresa nega qualquer vínculo com o narcotráfico.
A apuração busca esclarecer se os policiais recebiam para fazer a segurança pessoal dos investigados e de que forma o serviço teria sido contratado, além de mapear possíveis outros envolvidos.
Capitão na Câmara Municipal
Outro ponto sensível da investigação envolve o capitão Alexandre Vieira, que atua na Assessoria Policial Militar da Câmara Municipal de São Paulo, órgão responsável pela segurança dos vereadores e do presidente da Casa.
Em nota, a presidência da Câmara informou que o capitão integra a assessoria desde 2014, atuou em diferentes gestões e que não há registros funcionais que o desabonem nas atividades internas do órgão.
A Corregedoria, porém, analisa as conexões do oficial fora do ambiente institucional e a eventual relação com os alvos da investigação.
Origem da investigação e próximos passos
Os três presos foram identificados após a análise de dados da Operação Fim da Linha, deflagrada pelo Ministério Público em abril de 2024. Na denúncia, promotores afirmam que o PCC teria usado empresas de ônibus para lavar dinheiro do tráfico.
Segundo a investigação, companhias eram abertas em nome de laranjas e recebiam recursos ilícitos para vencer licitações do transporte público. O lucro retornaria à facção já “limpo”.
A prefeitura informou que substituiu as empresas sob investigação. Agora, a Corregedoria examina celulares e computadores apreendidos para aprofundar as apurações e verificar a extensão do esquema.





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