Copom inicia reunião que pode reduzir Selic para 14% nesta quarta-feira

A reunião do Copom, formado pelo presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, e pelos demais diretores da instituição, terá duração de dois dias

O Comitê de Política Monetária do Banco Central começa nesta terça-feira (4) a reunião que definirá o novo patamar da taxa básica de juros do Brasil. A expectativa predominante entre analistas é de um corte de 0,25 ponto percentual, levando a Selic de 14,25% para 14% ao ano.

Decisão sobre os juros sai nesta quarta-feira

A reunião do Copom, formado pelo presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, e pelos demais diretores da instituição, terá duração de dois dias. O resultado será divulgado na quarta-feira (5), após a avaliação do cenário econômico e das perspectivas para a inflação.

A possibilidade de uma nova redução da Selic ganhou força diante dos sinais recentes de desaceleração dos preços. A leitura do IPCA-15 de julho ficou abaixo das projeções do mercado e mostrou perda de intensidade dos núcleos de inflação, que desconsideram componentes mais voláteis, como alimentos e energia.

O cenário também apresenta sinais de moderação da atividade econômica. Indicadores de vendas do varejo, volume de serviços e produção industrial referentes a maio vieram abaixo das expectativas dos agentes financeiros, reforçando a percepção de menor dinamismo da economia.

Banco Central deve manter cautela sobre próximos cortes

Apesar da melhora nos dados de inflação e da desaceleração da atividade, a expectativa é que o Copom evite indicar claramente os próximos passos da política monetária. O cenário permanece marcado por incertezas externas e pelas expectativas de inflação ainda acima da meta projetadas no boletim Focus.

A comunicação do Banco Central também deve reforçar a necessidade de manter uma política monetária restritiva por mais tempo. Gabriel Galípolo afirmou recentemente que existe uma preocupação adicional com as expectativas de inflação, o que pode limitar a velocidade de redução dos juros.

Instituições financeiras como JPMorgan, Banco Inter e Meraki Capital avaliam que o ciclo de cortes pode continuar pelo menos até setembro. Essa possibilidade ganhou espaço entre as apostas observadas no mercado de juros futuros.

Comunicado pode ter mudanças na linguagem

Outro ponto de atenção está no texto que acompanhará a decisão. O comunicado divulgado na reunião anterior recebeu críticas de economistas e gestores por apresentar referências consideradas pouco claras sobre o horizonte relevante da política monetária e sobre diferentes trajetórias para a taxa de juros.

A expectativa de analistas é que o Banco Central simplifique a comunicação e retire os trechos que provocaram interpretações divergentes. Questões mais complexas podem ser detalhadas posteriormente na ata da reunião.

A avaliação do Itaú Unibanco é de que o Copom deve preservar a flexibilidade para decidir os próximos passos, evitando oferecer uma orientação antecipada sobre futuras reuniões. A instituição também espera que o Banco Central mantenha uma postura de cautela diante das incertezas e dos riscos para a convergência da inflação à meta.

Mercado acompanha sinalização para as próximas reuniões

Para economistas consultados pelo mercado, a combinação entre inflação mais comportada no curto prazo e atividade econômica menos aquecida favorece a continuidade do processo de redução da Selic.

Ao mesmo tempo, a autoridade monetária deve evitar comprometer-se previamente com novos cortes. A estratégia esperada é manter as decisões condicionadas à evolução dos indicadores econômicos, especialmente das expectativas de inflação.

Com isso, além da decisão sobre a taxa básica de juros, o mercado estará atento ao tom adotado pelo Banco Central. A principal dúvida será se o Copom deixará espaço para uma nova redução da Selic nas próximas reuniões ou se reforçará a necessidade de manter os juros elevados por mais tempo.

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