Os países-sede da Copa do Mundo de 2026 — Estados Unidos, México e Canadá — já se preparam para um dos maiores desafios do torneio: o calor intenso no verão do Hemisfério Norte, que pode representar riscos à saúde de jogadores, árbitros e torcedores, além de dificuldades logísticas para a organização.
Estádios tentam se adaptar ao calor
Em dezembro, o SoFi Stadium, em Inglewood, na Califórnia, já exibia medidas preventivas. O local contará com grandes ventiladores, cada um com mais de dois metros de altura, que serão acionados caso a temperatura ultrapasse 26,7°C. O estádio, inaugurado em 2020, possui teto que gera sombra e permite circulação de ar, mas nem todas as arenas do torneio contam com essa estrutura moderna.
Segundo Otto Benedict, vice-presidente de operações da empresa responsável pelo SoFi Stadium, a preocupação é antecipar cenários extremos. Com capacidade para cerca de 70 mil pessoas, o local receberá oito partidas da Copa.
Cidades classificadas como de “alto risco”
Um estudo publicado no International Journal of Biometeorology aponta “séria preocupação com a saúde de jogadores e árbitros” e classifica seis sedes como áreas de alto risco climático: Monterrey (México), Miami, Kansas City, Boston, Nova York e Filadélfia.
O relatório destaca que essas cidades já registraram temperaturas superiores a 35°C em índices de bulbo úmido — métrica que combina calor e umidade e indica o limite da adaptação humana ao calor.
Pausas para hidratação e ajustes no calendário
Após críticas recebidas durante a Copa do Mundo de Clubes de 2025, disputada nos Estados Unidos sob forte calor, a Fifa decidiu adotar pausas obrigatórias para hidratação aos 22 minutos de cada tempo, independentemente das condições climáticas.
Além disso, o calendário da Copa de 2026 prioriza jogos diurnos apenas em estádios com ar-condicionado, como os de Dallas, Houston e Atlanta. Em cidades consideradas mais vulneráveis, as partidas devem ocorrer em horários mais amenos, no fim da tarde ou à noite.
Sindicato alerta para jogos de risco
A FIFPro, sindicato mundial dos jogadores, afirma que ainda existem partidas classificadas como de alto risco e recomenda o adiamento de jogos quando a temperatura ultrapassar 28°C no índice de bulbo úmido. A Fifa, até o momento, não detalhou qual será o protocolo oficial em casos de calor extremo.
Torcedores também enfrentam perigo
Especialistas alertam que os riscos não se limitam aos atletas. Para Christopher Fuhrmann, da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos EUA (NOAA), o perigo para os torcedores costuma ser subestimado. A aglomeração, o consumo de álcool e possíveis problemas de saúde aumentam o risco de insolação, especialmente em estruturas com pouca ventilação e sombra.
Ainda não há definição se os espectadores poderão entrar nos estádios com garrafas de água reutilizáveis ou se precisarão comprar água nos locais.
Prevenção e alertas climáticos
O Serviço Nacional de Meteorologia dos EUA (NWS) atuará em todas as cidades-sede, emitindo alertas climáticos e orientações ao público. Segundo o meteorologista Benjamin Schott, que assessora a Fifa, a prioridade será a prevenção, principalmente para turistas estrangeiros pouco acostumados ao clima local.
As decisões finais sobre a realização ou adiamento das partidas caberão à Fifa em conjunto com autoridades locais, que envolvem governos, forças de segurança e equipes de emergência.






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