As contas do governo brasileiro apresentaram um déficit primário de R$ 43 bilhões em 2024, conforme dados divulgados pelo Tesouro Nacional nesta quinta-feira (30). Apesar do resultado negativo, é importante destacar que a meta fiscal foi formalmente cumprida, evidenciando a gestão fiscal do governo.
Em relação a 2023, quando o déficit totalizou R$ 228,5 bilhões, houve uma queda expressiva de 81% no resultado negativo. O saldo de R$ 43 bilhões representa 0,36% do Produto Interno Bruto (PIB), mas, ao excluir despesas extraordinárias relacionadas a enchentes no Rio Grande do Sul, incêndios no Pantanal e na Amazônia, e valores destinados ao Judiciário e ao Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP), o déficit primário efetivo foi de R$ 11,03 bilhões, equivalendo a apenas 0,09% do PIB.
A arrecadação em 2024 alcançou R$ 2,65 trilhões, o maior valor da série histórica desde 1995, impulsionada pelo desempenho econômico positivo e por ajustes tributários. Essa performance foi complementada pela restrição de gastos imposta pelo arcabouço fiscal, que limita o crescimento real das despesas a 2,5% ao ano. Como resultado, o governo bloqueou R$ 17,6 bilhões em gastos em 2024, afetando áreas como Saúde e Educação.
As receitas líquidas, após transferências a estados e municípios, somaram R$ 2,16 trilhões, com um crescimento real de 8,9%. As despesas totais do governo ficaram em R$ 2,2 trilhões, apresentando uma queda real de 0,7%. Assim, embora o déficit de R$ 43 bilhões tenha superado o esperado, a meta fiscal de 2024 foi considerada atingida, já que o governo pode tolerar um déficit de até 0,25% do PIB, correspondente a R$ 28,8 bilhões.
Entretanto, a recuperação fiscal não elimina a desconfiança do mercado em relação à saúde das contas públicas, refletida na volatilidade do dólar no final do ano passado. O cumprimento da meta fiscal, em meio a um contexto de restrições orçamentárias e desafios econômicos, continua a ser um tema de debate entre economistas.
Com informações do g1
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