O Conselho de Ética da Câmara dos Deputados instaurou nesta quarta-feira (13) um processo de cassação contra o deputado André Janones (Avante-MG), suspeito de ter praticado o esquema de “rachadinha” em seu gabinete. O parlamentar, que foi um dos apoiadores da campanha de Lula (PT) nas redes sociais, em 2022, pode perder o mandato se for condenado.
O processo deve ter uma tramitação lenta e só deve ser concluído em 2024. O Conselho de Ética tem fama de ser corporativista e demorado. O órgão tem caráter consultivo e só pode recomendar a cassação, que depende da aprovação de pelo menos 257 dos 513 deputados no plenário da Câmara.
Na sessão de hoje, foram sorteados os nomes de três deputados que podem relatar o caso. O presidente do conselho, Leur Lomanto Júnior (União Brasil-BA), vai escolher um deles. Os sorteados são Guilherme Boulos (PSOL-SP), pré-candidato à Prefeitura de São Paulo, Emanuel Pinheiro Neto (MDB-MT) e Sidney Leite (PSD-AM). Eles integram partidos que fazem parte da base de Lula.
As suspeitas contra Janones vieram à tona após o site Metrópoles divulgar um áudio de 2019 em que o deputado, em seu primeiro mandato, disse a assessores que eles teriam que devolver parte dos salários para que ele pudesse reconstruir seu patrimônio.
Janones não compareceu à sessão do Conselho de Ética desta quarta. Ele nega ter promovido “rachadinha”.
Em manifestações anteriores, o deputado reconheceu a autenticidade da gravação, mas negou ter promovido “rachadinha”, afirmando que pediu contribuições a amigos, que se tornariam seus assessores, para quitar dívidas que ele e esses futuros assessores assumiram em conjunto nas eleições de 2016.
Disse ainda que não considera sua atitude ilícita e que, de qualquer forma, a devolução de parte dos salários dos assessores acabou não ocorrendo por orientação jurídica que recebeu
“Não é [corrupção], porque o ‘devolver salário’ você manda na minha conta e eu faço o que quiser. São simplesmente algumas pessoas que eu confio e que participaram comigo em 2016 [nas eleições municipais, em que ele saiu derrotado], e que eu acho que elas entendem que realmente o meu patrimônio foi todo dilapidado. Eu perdi uma casa de R$ 380 mil, um carro, uma poupança de R$ 200 mil e uma previdência de R$ 70 mil. Eu acho justo que essas pessoas também hoje participem comigo dessa reconstrução disso”, afirmou o parlamentar na gravação.
Com informações da Folha de S.Paulo





