Conhecedores da floresta, brigadistas que combatem incêndios são formados por 50% de indígenas e 20% de quilombolas, diz Ibama  

‘Bombeiros têm uma formação longa que inclui várias especialidades urbanas e de resgate. Mas existem particularidades que os diferem’, disse Rodrigo Agostinho

Atualmente, 3.245 brigadistas, 700 fiscais, 1.100 viaturas, 22 aeronaves e 40 embarcações estão mobilizados para combater as queimadas em todo o Brasil. Embora seja uma grande estrutura, o presidente do Ibama, Rodrigo Agostinho, destacou que o desafio de conter os incêndios é imenso.

Segundo a coluna de Miriam Leitão, no Globo, há planos para expandir a operação, mas Agostinho explicou que aumentar o número de brigadistas não é uma tarefa simples. “É uma atividade perigosa, que exige treinamento”, ressaltou o presidente do Ibama durante uma conversa nesta terça-feira (17).

O comentário de Agostinho ocorreu antes da trágica notícia do encontro do corpo carbonizado de um jovem de 26 anos, que atuava como brigadista há um mês, na Chapada dos Guimarães (MT).

– Muita gente acha que é fácil contratar brigadistas e na verdade é superdifícil. Eu não posso colocar uma pessoa sem experiência para fazer isso. Serviço muito perigoso e por isso precisamos, além da seleção, fazer muito treinamento. É arriscado colocar gente despreparada para passar dias enfrentando o fogo. Há risco de morte. Esta semana um bombeiro se queimou feio no Parque Nacional em Brasília. Este ano perdemos um brigadista experiente. Hoje temos um número recorde (de brigadistas), o que cria uma dificuldade logística grande para transporte e alimentação de todos eles. Alguns países têm números bem maiores de brigadistas e acabam investindo mais. Mas apenas isso não resolve. São Paulo tem nove mil bombeiros e não tem conseguido dar conta – afirma Agostinho.

O presidente do Ibama conta que a maior parte dos brigadistas que atuam no país são indígenas e quilombolas:

– Os bombeiros têm uma formação longa e que inclui várias especialidades urbanas e de resgate. Mas existem particularidades que os diferem. Hoje 50% dos meus brigadistas são indígenas e 20% quilombolas e isso facilita muito o deslocamento deles por dentro das florestas.

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