Por décadas, a Ilha dos Cocos, em Paraty, viveu um tipo de anonimato que muita celebridade pagaria caro para ter. Escondida a apenas quatro quilômetros do centro histórico, em frente à Praia do Jabaquara, ela parecia fazer questão de não aparecer, cercada por um mar de um verde quase indecente e uma calma que lembrava resistência.

Enquanto as vizinhas exibiam suas enseadas nas capas de revista, a Ilha dos Cocos seguia alheia aos holofotes, conhecida apenas pelos barqueiros que a tratavam como um segredo de família.

Mas o século XXI tem horror ao mistério, e bastou um drone curioso e algumas hashtags inspiradas para o mundo descobrir o que os pescadores de Paraty sabiam há décadas: existia um pedaço de Caribe escondido sob o nariz de todo mundo.

As redes sociais cuidaram do resto, transformando o refúgio discreto em parada obrigatória nos roteiros de escunas e lanchas. A ilha, que nunca pediu fama, ganhou apelido de “Maldivas brasileiras” e passou a disputar espaço com destinos de nomes mais exóticos, mas com menos autenticidade.

Hoje, a Ilha dos Cocos tenta equilibrar sua vocação para o isolamento com a súbita popularidade digital. Continua pequena, cercada por Mata Atlântica, com águas claras e geladas o suficiente para espantar o exagero humano, mas nem tanto a ponto de evitar o turismo.

É o tipo de lugar que não precisa de filtros, mas ganhou milhões deles e assim um pedaço de paraíso que queria apenas sossego e acabou viralizando.

Ilha dos Cocos tenta equilibrar sua vocação para o isolamento com a súbita popularidade digital | Crédito: Reprodução

Onde fica?

A Ilha dos Cocos está localizada a cerca de quatro quilômetros mar adentro do centro de Paraty, em frente à Praia do Jabaquara e próxima de outras ilhas famosas como a Ilha Comprida e a Ilha da Bexiga.

Devido à sua posição estratégica, ela é facilmente acessada por embarcações que partem do cais de turismo ou da Marina Farol rumo às cerca de 65 ilhas que compõem o belíssimo cenário da Baía de Paraty.  

Por que não era tão conhecida?

Durante décadas, a Ilha dos Cocos viveu um tipo de anonimato invejável. Enquanto outras ilhas de Paraty desfilavam nos roteiros turísticos, ela permanecia ali, impecável e ignorada, cercada por águas de um verde indecente e um silêncio que parecia resistência.

O motivo não era falta de beleza, mas justamente o contrário. Os barqueiros locais sabiam do segredo há tempos e falavam dela com discrição, como quem protege um refúgio particular.  

Paraty guarda um pedaço do Caribe: destino ganhou boom na web | Crédito: Reprodução

 Por que só recentemente virou destino?

Só quando os drones e as redes sociais começaram a exibi-la que o mundo resolveu notar o que os pescadores já sabiam fazia tempo. Paraty guardava um pedaço de Caribe debaixo do nariz de todo mundo. As hashtags fizeram o resto.

A revalorização de Paraty como destino internacional trouxe a Ilha dos Cocos para o centro dos roteiros de escuna e lancha privativa. Mas, paradoxalmente, é esse mesmo interesse que ameaça o que a fez única.

O charme da ilha está no fato de que ela não quer ser badalada. É um pedaço de paraíso que prefere a solidão à fama, e talvez por isso tenha se mantido tão puro até agora.

De onde veio o apelido de “Maldivas brasileiras”?

O apelido vem do contraste entre a água extremamente límpida e a tonalidade esverdeada que lembra fotos famosas das Maldivas. É uma metáfora de marketing, charmosa, que facilita o desejo de visita.    

Seu pequeno porte e a vegetação abundante fazem dela um local ideal para relaxar, tomar banho de mar e contemplar o horizonte cercado por montanhas e Mata Atlântica.

Não à toa, a Ilha dos Cocos está hoje entre os pontos mais procurados por quem deseja um passeio tranquilo e visualmente encantador.

Águas cristalinas e paisagens de perder o fôlego fazem parte da Ilha dos Cocos | Crédito: Reprodução

Quais são as características da ilha?

A Ilha dos Cocos tem praias pequenas e enseadas com água cristalina, fundos rochosos e pedras graníticas visíveis sob a superfície, além da vegetação de Mata Atlântica que desce até a linha d’água.

A água é um pouco gelada, mas vale a pena encarar. A ilha tem um mar bastante preservado, então a vida marinha é muito rica e você pode ter a oportunidade de nadar com diferentes espécies de peixes.

Em áreas abrigadas da enseada da ilha, a profundidade pode atingir cerca de 4 metros em pontos onde existe uma caverna submersa. Em ambientes mais externos à enseada, com mar mais aberto e quando o mar está calmo, a profundidade chega a 20 metros.

Portanto, para o turista comum, as profundidades são leves e confortáveis, enquanto mergulhadores mais avançados podem explorar zonas mais profundas.

Só o algoritmo explica

A confusão é comum até entre viajantes experientes. Antes da Ilha dos Cocos de Paraty ficar famosa, dois destinos na Costa Rica davam nó na cabeça de quem organizava suas férias pela internet.

O primeiro é a Isla del Coco uma ilha oceânica isolada, situada a cerca de 550 km da costa da Costa Rica, no Pacífico Sul. Ela é desabitada, Patrimônio Mundial da Unesco, e famosa por suas águas cristalinas repletas de tubarões-martelo, golfinhos e raias-manta.

É considerada um dos melhores pontos de mergulho do mundo, comparável às Galápagos, mas o acesso só é possível por expedições marítimas de vários dias.

E há também as Playas del Coco, em Guanacaste,  uma das praias mais antigas e movimentadas do país. Mas o que realmente encanta aqui são as praias vizinhas, acessíveis de barco, como Playa Hermosa, Playa Ocotal e Playa Penca, que têm águas mais claras e ideais para mergulho e snorkel.

Ilha tem praias pequenas e enseadas com água cristalina, fundos rochosos e pedras graníticas visíveis sob a superfície | Crédito: Reprodução

Existe algum tipo de hospedagem na Ilha dos Cocos?

Há oferta limitada e sazonal, mas a prática mais comum é a visita de meio-dia a um dia. Pernoitar na ilha acampado com os amigos não é rotina para turistas sem reserva prévia ou contato direto com os administradores.

A ilha conta com pouquíssimas pousadas, dentre elas algumas que oferecem quartos elegantemente decorados e com diárias em torno dos R$ 3 mil. Com direito a café da manhã. Muita gente acaba se hospedando em Paraty mesmo indo até a ilha só curtir.

Como chegar?

O acesso é exclusivamente por barco: saindo do cais em Paraty, há opções de escunas, lanchas coletivas e passeios privados que incluem a Ilha dos Cocos em roteiros pela baía.

A Ilha fica a cerca de uma hora de barco, com tarifas em torno de R$ 100 por pessoa.

Outra opção mais exclusiva é alugar uma lancha para chamar de sua. Os preços variam dependendo naturalmente do modelo e podem ser pesquisados nas marinas locais.

Melhor época para visitar

Para maior chance de mar calmo e dias ensolarados, prefira o período menos chuvoso entre abril e setembro, com menção frequente a maio a setembro como meses com clima mais estável para atividades náuticas.

Evite o pico do verão chuvoso, entre dezembro e março, se o seu objetivo principal for aproveitar as águas cristalinas sem risco de tempestades. 

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