O sonho de fugir do empobrecimento no Brasil, acentuado desde o golpe de 2016 e amplificado sob o tual governo, tornou-se um pesadelo para milhares de brasileiros que entram ilegalmente nos Estados Unidos.
A notícia é do Globo.
O número de brasileiros deportados dos Estados Unidos atingiu seu maior patamar nos sete primeiros meses de 2022, com 2.423 cidadãos expulsos em 19 voos fretados pelo governo americano, segundo a Polícia Federal.
O volume é comparável ao total de pessoas que tiveram de deixar aquele país em todo o ano passado: 2.447. Se em 2021 a média foi de 204 deportados por mês, em 2022, até julho, está em 346, uma alta de 69%.
Segundo especialistas, a maioria dos deportados foi para Minas Gerais e São Paulo. As razões para a alta são principalmente econômicas, mas também pesam o maior rigor na fiscalização das autoridades migratórias com a pandemia de Covid-19 e uma mudança na lei brasileira, em 2019.
O Brasil firmou um acordo com o governo americano que dispensou a necessidade de o brasileiro deportado ter passaporte. O documento passou a ser substituído por uma declaração que comprova a nacionalidade original da pessoa. O presidente Jair Bolsonaro, na época, atendeu a um pedido do então presidente americano Donald Trump. Mas a eleição de Joe Biden não abrandou o sistema de detenção de ilegais e a deportação.
Mauricio Ejchel, advogado que atende casos de brasileiros tanto nos Brasil quanto nos EUA, afirma que as condições no tratamento dessas pessoas são “sub-humanas em todos os momentos”, desde a detenção ao confinamento nas prisões e no retorno, quando voltam algemados.
— Pouco fornecimento de comida, superlotação nas celas e tratamento rude pelas autoridades são relatos que pude apurar — conta.
Segundo uma fonte diplomática, os brasileiros estão sendo detidos com ordem definitiva de deportação. Assim, é melhor voltar do que ficar em prisões com desconhecidos e longe dos parentes.
O advogado Telêmaco Marrace destaca que a migração para os EUA sempre atraiu brasileiros. Mas o estopim continua a ser a situação atual do país, com desemprego ou subemprego.
— É um caldeirão de falta de oportunidades e baixo salário, e uma ilusão de que além da fronteira a vida irá melhorar. Ocorre que essas pessoas com baixa qualificação são enganadas por “atravessadores” que fomentam essa ideia — enfatizou.






Deixe um comentário