Comércio prevê aumento nas vendas de Dia dos pais no RJ; nos supermercados, itens para churrasco ganham destaque

Data deve ter crescimento nas vendas em diferentes setores, segundo projeções

O comércio do Rio de Janeiro espera um aquecimento nas vendas do Dia dos Pais de 2025, com crescimento, em relação aos dias comuns, previsto em diferentes setores como vestuário, calçados, perfumes e eletrônicos. Entre os destaques está a demanda por itens para churrasco nos supermercados, que deve registrar alta de até 20%, impulsionada pela preferência dos consumidores por confraternizações em casa.

Um levantamento do Instituto Fecomércio de Pesquisas e Análises (IFec-RJ) indica que 44,4% dos consumidores da Região Metropolitana do Rio pretendem presentear na data, com gasto médio estimado em R$ 161,01 por pessoa — a movimentação financeira é estimada em R$ 259 milhões.

Segundo a pesquisa, que ouviu 853 consumidores pelo estado, as categorias mais procuradas são roupas (43,3%), perfumes e cosméticos (16,1%), calçados e acessórios (13,7%) e smartphones (4,2%). As lojas físicas são o canal preferido de 66,5% dos entrevistados, seguidas pelos canais virtuais (24%) e pela combinação de ambos (8,2%).

Nos supermercados, a Associação de Supermercados do Estado do Rio de Janeiro (Asserj) projeta crescimento de até 20% nas vendas de itens para churrasco, com procura inclusive de carnes nobres, cervejas artesanais, vinhos e outros produtos para a celebração.

“Nossa expectativa é de crescimento nas vendas, especialmente em categorias ligadas à confraternização familiar. As redes estão preparadas com ações estratégicas para oferecer conveniência e boas experiências de compra aos consumidores fluminenses”, diz Fábio Queiróz, presidente da Asserj. 

Chocolates, sobremesas prontas e kits promocionais também devem ganhar visibilidade nas gôndolas, mirando consumidores que buscam praticidade e conveniência na hora de presentear.

Aumento, mas com cautela

Mais cauteloso, mas ainda assim otimista, um levantamento conjunto entre o Clube de Diretores Lojistas do Rio de Janeiro (CDLRio) e o Sindicato dos Lojistas do Comércio do Município do Rio de Janeiro (SindilojasRio) aponta que 75% dos lojistas esperam crescimento de até 1,5% nas vendas. Outros 15% estimam estabilidade e 10% preveem queda, refletindo as dificuldades econômicas enfrentadas por consumidores e comerciantes, como o alto custo de operação, juros elevados e o endividamento das famílias.

O aumento dos aluguéis comerciais, que ultrapassou 7% nos últimos doze meses, é um dos principais fatores de pressão.

“O dólar mais caro, as incertezas econômicas e a guerra tarifária têm levado a revisões para baixo nas projeções de crescimento. Mesmo sem um ambiente totalmente desfavorável, os desafios são maiores para os comerciantes”, avalia o presidente do CDLRio e do SindilojasRio, Aldo Gonçalves.

Sobre as vendas nos shoppings, no cenário nacional, a Associação Brasileira de Shopping Centers (Abrasce) projeta crescimento de 2,2% para o Dia dos Pais em relação ao ano passado, alcançando cerca de R$ 4,3 bilhões em movimentação.

O ticket médio deve chegar a R$ 210,26 — aumento de 5,1%. O índice é esperado por 78% dos shoppings do país, enquanto 58% projetam maior circulação de público.

O outro lado do balcão

Enquanto o comércio se prepara para aproveitar o aumento nas vendas, o Sindicato dos Comerciários do Rio reforça a importância de garantir condições justas para os trabalhadores durante o período de maior movimento. Segundo Márcio Ayer, presidente da entidade, o aumento da demanda representa oportunidade de ganhos extras, mas também exige atenção ao respeito à jornada de trabalho, pausas e pagamento correto de horas extras.

“É fundamental que as empresas cumpram as convenções coletivas e assegurem um ambiente saudável para os funcionários, especialmente em datas comemorativas, quando a rotina costuma se intensificar”, destaca. O sindicato afirma que mantém fiscalizações regulares para coibir jornadas abusivas e orienta os trabalhadores a denunciarem qualquer irregularidade. Nos últimos 12 meses, pelo menos 3.092 lojas receberam notificação por desrespeitar os direitos dos trabalhadores, segundo o sindicato.

Comemorações em casa

Para muitos pais cariocas, a data é sinônimo de churrasco e reunião da família. Pai de Luana, 41, e Rodrigo, 37, Eduardo Rodrigues, 65, conta que gosta de comemorar com carne na brasa. “No Dia dos Pais, gosto de juntar meus filhos, meus vizinhos e alguns amigos e fazer um churrasco. Eu sou o cara do churrasco! Fica todo mundo reunido, é bom demais. Sempre aparece algum amigo que não é pai também, e acaba passando o dia com a gente. A casa fica cheia, é um momento especial”, diz Tarta — como é chamado pelos mais próximos —, que também é padrasto da Kawany, 22, e Lohan Venâncio, 26.

“Eu mesmo vou ao mercado. Compro carne, asa de frango, coração, pancetta, pão de alho, carvão… Vai também o tradicional arroz, farofa e refrigerante. Cada um tem sua preferência, mas o importante é ter de tudo um pouco”, afirma. Para ele, no entanto, mais vale o gesto do que o presente. “O que vale é o carinho e a intenção. É um dia muito especial pra mim, e acho que pra todo pai também”, completa. 

Anderson Policarpo, 48, pai do Enzo, de 13 anos, conta que também gosta mais de passar o Dia dos Pais em casa. “Por aqui, fazemos almoço de família. Curto com meu pai e meu filho. É a melhor forma de se passar um tempo de qualidade”. 

Assim como o filho, Anderson é fã de quadrinhos e séries, e destaca que o preço de um passeio no shopping para curtir a data tem ficado cada vez mais alto. “A grande verdade é que todas as datas comemorativas, a cada ano que passa, estão ficando mais caras, mais difíceis de você ir numa loja fazer compras, ir num shopping. Cada vez que passa está cada vez mais difícil usufruir de alguns bens”, conta ele, que nas horas vagas é super-herói voluntário em hospitais do Rio.

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