Combustíveis: margens de lucro de postos e distribuidoras disparam até 103% em 2026

Alta do petróleo e custos logísticos elevam preços; governo intensifica fiscalização contra abusos

Desde o início de 2026, distribuidoras e postos de combustíveis ampliaram significativamente suas margens de lucro, impulsionados pela alta internacional do petróleo em meio a tensões geopolíticas envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã. Dados do Ministério de Minas e Energia (MME) apontam que esse movimento ocorre paralelamente à escalada dos preços nas bombas.

A diferença entre o custo de aquisição dos combustíveis e o valor cobrado ao consumidor final cresceu quase 28% no caso da gasolina desde janeiro. Já o diesel S-10, utilizado em veículos mais novos, teve aumento de margem superior a 17% no mesmo período.

O destaque, porém, ficou com o diesel S-500, cujo avanço ultrapassou 103%, representando a maior elevação registrada no ano. Esse tipo de combustível é amplamente usado por veículos fabricados antes de 2012.

Margens acumulam alta muito acima da inflação

O avanço das margens não é um fenômeno recente. Segundo especialistas, desde 2021 os aumentos vêm superando com folga a inflação oficial. No período, a margem do diesel S-500 subiu 302%, enquanto o diesel S-10 avançou 115% e a gasolina, 90%. Em comparação, a inflação acumulada medida pelo IBGE foi de cerca de 35%.

Para analistas, o cenário de incerteza global contribui para o comportamento do mercado. Momentos de risco de desabastecimento fazem com que consumidores priorizem garantir o abastecimento, mesmo diante de preços mais elevados, reduzindo a sensibilidade ao valor final.

Setor nega abusos e aponta aumento de custos

Representantes do setor de distribuição contestam a ideia de práticas abusivas. Segundo executivos, o aumento das margens reflete, na verdade, uma elevação consistente dos custos operacionais.

Entre os principais fatores apontados estão reajustes salariais, alta no valor dos fretes e maior demanda por transporte devido ao escoamento da safra agrícola. Caminhoneiros, nesse cenário, teriam ampliado seus preços, pressionando ainda mais a cadeia logística.

Além disso, empresas destacam o crescimento das importações de combustíveis, que chegaram a dobrar em alguns casos. Esse movimento eleva os custos devido ao frete marítimo mais caro e à necessidade de maior capital de giro, além de envolver preços superiores aos praticados no mercado interno.

Governo reage e intensifica fiscalização no setor

O avanço dos preços preocupa o governo federal, que teme o impacto político e econômico da alta dos combustíveis. Medidas como a redução de impostos e subsídios ao diesel foram adotadas para conter os reajustes, com potencial de reduzir em até R$ 0,64 por litro.

Mesmo assim, o Planalto acionou a Agência Nacional do Petróleo (ANP) para investigar possíveis irregularidades. Uma força-tarefa nacional realizada em março fiscalizou 154 empresas em 12 estados, resultando em autuações por indícios de preços abusivos e interdições por irregularidades.

A fiscalização foi reforçada após a edição de uma medida provisória que ampliou os poderes da ANP. As penalidades para práticas consideradas abusivas podem variar de R$ 50 mil a R$ 500 milhões, dependendo da gravidade.

Casos específicos e justificativas das empresas

Entre os casos investigados, uma grande distribuidora foi autuada após elevar o preço do diesel em mais de R$ 1 por litro, mesmo com aumento mínimo no custo de aquisição. A discrepância foi considerada um possível indício de prática abusiva.

Em resposta, empresas do setor afirmam que os preços refletem uma combinação de fatores, como variações cambiais, custos logísticos, diferentes fontes de abastecimento e condições regionais, destacando que o mercado opera sob regime de livre concorrência.

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