O Rio de Janeiro teve 54.236 celulares roubados ou furtados de janeiro a setembro deste ano, segundo dados do ISP (Instituto de Segurança Pública). É o maior índice desse tipo de crime na série histórica desse tipo de estatística, iniciada em 2003.

Em média, isso representa um aparelho subtraído a cada sete minutos e um aumento de 23,5% em comparação ao mesmo período de 2024. Nos últimos dez anos, o índice dobrou, indica levantamento feito pela Agenda do Poder (veja abaixo).

Em meio à alta de casos, a Polícia Civil começou a investigar os rastros deixados por criminosos especializados nesse tipo de ação. Em cinco meses, a Operação Rastreio foi responsável pela apreensão de quase 6 mil celulares e pela prisão de 420 pessoas. Ao todo, 85% delas respondem pelo crime de receptação.

Celulares recuperados pela Polícia na Operação Rastreio / Crédito: Polícia Civil do Rio de Janeiro

Em um intervalo de apenas 24 horas em uma ação que teve o seu desfecho nesta quinta-feira (23), a Polícia Civil prendeu mais de 250 pessoas e recuperou 4,1 mil celulares.

“É muito importante que o cidadão que não comprou o celular de má-fé coopere com o trabalho da polícia e entregue o aparelho, que será restituído aos legítimos proprietários. O aparelho que está em suas mãos pode ter custado uma vida”.

Felipe Curi, secretário da Polícia Civil

As ações se concentraram em várias regiões do Rio. Em Duque de Caxias, Nova Iguaçu e Centro da capital, celulares foram apreendidos em flagrante e suspeitos presos durante fiscalizações, incluindo equipamentos de eventos esportivos.

Índice de roubos e furtos de celulares dobra em 10 anos no RJ

  • 2016 – 27.503
  • 2017 – 29.517
  • 2018 – 31.187
  • 2019 – 34.274
  • 2020 – 20.971
  • 2021 – 20.857
  • 2022 – 34.359
  • 2023 – 35.949
  • 2024 – 43.942
  • 2025 – 54.236

Termina hoje prazo de 72 horas para evitar responsabilização criminal

A proposta das autoridades é evitar responsabilização criminal com a entrega voluntária, com um prazo de 72 horas. O prazo dado pela Polícia Civil terminou nesta sexta-feira (24).

Os celulares recuperados passam por perícia antes de serem devolvidos aos seus proprietários.

As pessoas que receberam intimações e não fizeram a entrega poderão ser indiciadas pelo crime de receptação. “Essas pessoas passarão a ter anotação criminal pelo crime de receptação e ainda correm o risco de receber a Polícia Civil na sua residência”, alertou o delegado Felipe Curi, secretário da Polícia Civil.

Uma ferramenta importante na operação é o aplicativo Celular Seguro RJ lançado pela Polícia Civil em setembro de 2024, que permite registrar e consultar o IMEI, número de identificação único de cada aparelho celular, ajudando no bloqueio e rastreamento dos celulares roubados ou furtados de forma mais ágil.

Agentes usaram app para consultar IMEI dos aparelhos roubados ou furtados / Polícia Civil do Rio de Janeiro

A análise inclui um levantamento sobre restrições na base de dados da polícia e da própria Anatel. Em outras palavras, caso haja furto ou roubo, fica mais fácil fazer o bloqueio e a restrição ao aparelho.

O aplicativo está disponível para iOS e Android, integrando serviços em um único canal.

O app permite aos usuários ter acesso ao registro de ocorrência online da Polícia Civil, fazer reclamações ao Procon, solicitar Seguro-Desemprego, abrir empresas pela Junta Comercial do Estado, solicitar a 2ª via da carteira de identidade ao Detran.RJ e consultar exames do Rio Imagem, entre outras funcionalidades.

Com a ferramenta, os alunos da rede estadual também acessam o boletim online. 

Vídeos de roubo e furto de celular viralizam no Rio

Vídeos nas redes sociais têm viralizado mostrando roubos e furtos de celulares neste ano no Rio de Janeiro. Em um deles, vendedores ambulantes furtavam um celular

“Aquela forcinha pro teu amigo, dois reais o polvilho. Trabalhador tá na luta, paizão”, diz o jovem. Ao perceber que o motorista estava gravando com o celular, o outro ambulante pergunta: “Tá na live?”. E, em seguida, furta o aparelho em meio ao trânsito. O episódio ocorreu em agosto deste ano.

Também em agosto, um outro vídeo mostra um jovem sendo espancado por um grupo de adolescentes que subtraíram o seu aparelho dentro de um ônibus.

Em um caso registrado em maio deste ano pela Polícia Civil, uma quadrilha agrediu um turista de São Paulo com socos e chutes para roubar o celular dele na Lapa, região central do Rio. Dois jovens foram presos em flagrante por roubo. Outros dois adolescentes que também participaram da ação foram autuados por fato análogo ao mesmo delito.

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