O Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social Sustentável, conhecido como Conselhão, realiza nesta quinta-feira (04), em Brasília, a última reunião de 2025. O encontro, que terá a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, deve ser palco de discursos voltados à conjuntura econômica, especialmente após o tarifaço imposto pelos Estados Unidos e os recentes recuos do presidente Donald Trump em relação ao Brasil.
Criado para reunir ministros, empresários, ativistas e representantes da sociedade civil, o Conselhão funciona como um espaço de diálogo e formulação de políticas públicas. A previsão é que a reunião apresente um balanço das ações desenvolvidas por integrantes do colegiado na COP 30, além de novos anúncios governamentais.
O cenário da reunião
Durante o evento, representantes da sociedade civil devem entregar a Lula um documento com propostas e recomendações para os próximos anos. Será a sexta reunião desde a recriação do Conselhão, em 2023. O encontro ocorre no Palácio do Itamaraty, com abertura da ministra Gleisi Hoffmann e encerramento previsto com discurso do presidente.
A expectativa é que Lula e outros integrantes do governo façam um paralelo entre o momento de tensão com os EUA registrado na reunião de agosto e o atual estágio das negociações. O tema da segurança para investidores e o balanço positivo da economia devem aparecer nas falas.
Entre os presentes estarão o vice-presidente Geraldo Alckmin e os ministros Fernando Haddad, Esther Dweck, Renan Filho, Jader Filho, Frederico de Siqueira Filho, Paulo Teixeira, Vinícius de Carvalho e a secretária-geral do Itamaraty, Maria Laura da Rocha.
Origem e propósito do colegiado
O Conselhão é vinculado à Secretaria de Relações Institucionais da Presidência e foi criado originalmente em 2003. Extinto na gestão Jair Bolsonaro, voltou a funcionar em 2023 com a proposta de reunir diferentes setores da sociedade em torno de temas estratégicos.
O secretário-executivo do colegiado, Olavo Noleto, destacou que o espaço foi desenhado para estimular o diálogo. Segundo ele, a diversidade entre os participantes é a força do conselho.
“Aqui, o primeiro produto na verdade é o diálogo. Os diferentes se respeitam, constroem juntos, entendem diferenças como riqueza. A primeira coisa do Conselhão é a riqueza do debate, do respeito, a diversidade é valorizada. Nesse novo mandato, esses três anos de trabalho, mostraram muita maturidade, desprendimento. Temos todas posição e que aceitaram participar, vir pra dentro dos grupos de trabalho, formular e elaborar propostas”, disse.
Anúncios previstos para o encontro
Além de discursos sobre a COP 30, o governo deve apresentar entregas recentes da gestão. Entre os anúncios programados estão:
— Política Nacional de Conectividade em Rodovias
— Lei Geral de Direito Internacional
— Estratégia de Compras Públicas Sustentáveis
Os pilares de um novo projeto de país
Um dos principais destaques do encontro será a apresentação do documento Pilares de um Projeto de Nação, construído pelo colegiado com a colaboração de diversos segmentos sociais. O texto reúne diretrizes estratégicas para orientar políticas públicas e investimentos dos próximos governos.
Os pilares apresentados incluem educação equitativa, trabalho digno, segurança alimentar, saúde, ciência e tecnologia, segurança pública cidadã, desenvolvimento territorial sustentável, cidades sustentáveis, transição ecológica, política macroeconômica justa, justiça tributária e defesa da soberania.
O objetivo é ampliar o diálogo com movimentos sociais, universidades, empresas, estados, municípios e comunidades tradicionais, reforçando a representatividade do processo.
Noleto destacou o método de trabalho dos conselheiros para construir o documento.
“A gente pegou os planos estratégicos do governo como Brasil 2050, PAC, Nova Indústria Brasil, transformação ecológica, trabalos sobre políticas preditivas, pensando para onde o Brasil está indo. Daqui 10 anos, como estará nossa população perfil de emprego, demanda maior, evolução tecnológica, educação estará em que nível? Então a gente prevê como o Brasil estará em 10 anos”, afirmou.
Ele acrescentou que o grupo buscou propor ações concretas:
“A gente pegou todos esses trabalhos e fez um debate dentro do grupo, perguntando o que acham que é o fundamental, estratégico para o Brasil nos próximos 10 anos, propondo coisas concretas para cinco anos. E dai surgem as respostas em forma de pilares e ações”, concluiu.






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