Depois de oito meses de espera, o último bloco do leilão da Companhia Estadual de Águas e Esgotos do Rio de Janeiro (Cedae) será realizado nesta quarta-feira (29/12) na Bolsa de Valores de São Paulo, com a presença do governador Cláudio Castro. Duas empresas confirmaram participação no certame: a Aegea e a Aguas do Brasil, detentoras de outras fatias da concessão já leiloadas.
A operadora de saneamento Aegea confirmou nesta terça-feira (28) que entregou proposta pelo “bloco 3.”
No total, a licitação recebeu duas propostas, da Aegea e do grupo Águas do Brasil. Conforme o edital de concessão, publicado em novembro, as propostas deveriam ser entregues na segunda-feira, 27, em envelopes que serão abertos no certame desta quarta-feira.
Pelas regras do edital, vencerá o leilão o proponente que oferecer a maior taxa de outorga ao governo estadual e às prefeituras dos municípios incluídos na área. O valor mínimo é R$ 1,16 bilhão, mas, diante da expectativa de competição, poderá haver ágio.
Na primeira rodada de concessões do Rio, em abril, foram oferecidas quatro áreas, com as outorgas mínimas somando pouco mais de R$ 10 bilhões, mas foram arrecadados R$ 22,7 bilhões, em três blocos.
O chamado bloco 3 – que no primeiro leilão não teve interessado – foi engrossado com novas adesões e hoje engloba 20 cidades do estado e mais 22 bairros da zona oeste carioca.
Entre as áreas estão comunidades controladas por milicianos, que operam como um poder paralelo e controlam inclusive intervenções urbanas, assim como o acesso de empresas prestadoras de serviços.
Nesta etapa, o projeto prevê R$ 4,7 bilhões de investimentos para universalizar os serviços de saneamento nos 21 municípios que participam do bloco, com cerca de 2,7 milhões de pessoas beneficiadas. O valor da outorga mínima é de R$ 1,16 bilhão, com um total de R$ 1,5 bilhão de outorga variável para os municípios em 35 anos. Além disso, nesta fase também estão previstos R$ 13,6 bilhões de investimentos em operação e manutenção ao longo de 35 anos.
Com saneamento básico precário e um alto índice de insegurança, a área que contempla bairros como Campo Grande, Bangu, Guaratiba e Santa Cruz vive um crescimento desordenado há décadas.
Além dos loteamentos irregulares e favelas, o surgimento dos grupos de milicianos prejudicou a chegada dos serviços de água e esgoto à população desta região, que soma 1,8 milhão de pessoas. Nessa localidade, ocorre a degradação da Baía de Sepetiba – ainda mais negligenciada do que a Baía de Guanabara.






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