O grupo político liderado pelo prefeito de Maricá, Washington Quaquá, saiu consagrado nas eleições internas do Partido dos Trabalhadores (PT), o PED, no Rio, derrotando num só movimento todas as demais forças partidárias agrupadas em torno do deputado federal Reimont. Na oposição, estavam, entre outros, os deputados federais Lindberg Farias e Benedita da Silva e o ex-presidente da Alerj, André Ceciliano.
O secretário municipal de Habitação do Rio e filho do prefeito de Maricá, Diego Zeidan, foi eleito presidente com 62,2% dos votos (38.301) contra 23.206 de Reimont (37,7). Votaram 61.507 filiados.
“Vencemos contra praticamente todas as figuras públicas do PT do RJ que se uniram contra nós. Mas vencida as eleições agora é reorganizar o PT e mostrar que nossa vitória reflete a necessidade de mudar as pautas, a prática e valorizar o trabalho de base e de periferia do PT. O PT vai ser reoxigenar no Rio e ajudar o PT nacional a se reinventar. E a eleger o presidente Lula para o quarto mandato”, comentou Quaquá após a totalização dos votos.
Barba, cabelo e bigode
Quaquá venceu também na capital. Alberes Lima foi eleito presidente do diretório do Rio , com mais de 70% sobre Leonel de Esquerda. Tanto Diego quanto Alberes são ligados à corrente CNB (Construindo um Novo Brasil) e consolidam o domínio da ala de Maricá da legenda. Com a vitória, Quaquá passa a ter, sozinho, 53% das cadeiras da direção estadual do PT.
Segundo a apuração, mais de 60 mil petistas estiveram presentes nos 150 locais de votação espalhados pelo estado — sendo 60 só na capital. Além de eleger os representantes do estado e município, os votos na cédula escolheram ainda a presidência nacional e a composição dos diretórios regionais.
Resultado confirma previsões
No território fluminense, o resultado confirmou a expectativa de vitória do grupo de Maricá. Desde o início, Zeidan era tratado nos bastidores como favorito, com expectativa de conquistar também a maioria das cadeiras no diretório estadual — órgão responsável por decisões estratégicas, como alianças e candidaturas. Não à toa: o filho de Quaquá, ao longo de toda a campanha, percorreu cidades do interior e mobilizou núcleos de base em todo o estado, caindo no gosto da composição de diferentes diretórios.
Nas redes, o novo presidente eleito já havia defendido um PT mais próximo da militância popular. “Eu subo a favela, converso com o povo, ando nas ruas, porque é assim que a gente constrói um partido forte e enraizado”, disse. Em um vídeo, que compartilhou junto ao post, pontuou: “O PT não pode falar só com a Zona Sul ou com a Praça São Salvador. Meu compromisso é com o povo trabalhador de todo o Rio de Janeiro”.
Ao longo da campanha, Zeidan buscou se apresentar como o nome da renovação interna. Defendeu a ampliação da presença do partido nos territórios populares, visitou dezenas de municípios e coordenou uma ofensiva de filiações que, segundo aliados, foi fruto de um trabalho de base realizado desde o ano passado. O discurso era direto: retomar o contato com as periferias, com o interior e com os segmentos populares — e reconstruir a legenda a partir daí.
Mesmo o apoio de nomes históricos de lideranças tradicionais — que inclui os deputados federais Benedita da Silva e Lindbergh Farias, as estaduais Verônica Lima, Elika Takimoto e Marina do MST, além do ex-presidente da Alerj André Ceciliano — não foi o suficiente para o grupo de Reimont frear o avanço do grupo de Ququá.
Votação no papel e atraso na apuração
A votação deste domingo ocorreu por meio de cédulas impressas, e não em urnas eletrônicas, como chegou a ser cogitado. A direção nacional do PT solicitou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) a cessão dos equipamentos, mas o TSE repassou a decisão aos tribunais regionais. Diante da possibilidade de cada estado adotar critérios diferentes, o partido optou por manter o voto impresso em todo o país, como forma de padronizar o processo.





