Grandes empresas dos Estados Unidos entraram na discussão sobre a possível adoção de tarifas sobre produtos brasileiros e pediram ao governo americano que preserve isenções ou crie exceções para itens importados do Brasil. Entre as companhias que se manifestaram estão a Coca-Cola, a Tesla e o eBay, que enviaram comentários ao Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR).
Nos documentos apresentados durante a consulta pública, as empresas afirmam que a taxação poderá elevar custos, comprometer cadeias de suprimentos e afetar tanto a produção quanto os consumidores americanos.
Coca-Cola quer manter isenção
A Coca-Cola solicitou que o governo americano mantenha a isenção para insumos derivados da laranja brasileira e amplie o benefício para produtos à base de limão utilizados na fabricação de bebidas.
Segundo a empresa, uma eventual tarifa poderia provocar interrupções na cadeia de abastecimento e aumentar os custos de produção nos Estados Unidos. A companhia também defendeu que qualquer medida adotada seja implementada de forma gradual e operacionalmente viável, evitando impactos desnecessários para a indústria de alimentos e bebidas.
Os Estados Unidos são atualmente o principal destino das exportações brasileiras de suco de laranja congelado.
Tesla cita dependência de componentes brasileiros
A Tesla também alertou que tarifas adicionais poderiam comprometer a competitividade da indústria americana de veículos elétricos.
Em sua manifestação, a montadora afirmou que investiu bilhões de dólares para construir uma cadeia de fornecimento nos Estados Unidos, mas destacou que determinados insumos e componentes críticos ainda dependem de fornecedores brasileiros.
Por isso, a empresa pediu que qualquer decisão considere as limitações atuais das cadeias globais de suprimentos e preserve o acesso a esses materiais.
eBay pede exceção para produtos usados
O eBay também participou da consulta pública e solicitou que produtos usados comercializados em sua plataforma sejam excluídos de uma eventual tributação.
Segundo a empresa, a cobrança de tarifas poderia inviabilizar operações realizadas por pequenos vendedores, já que o custo da importação poderia superar o próprio valor de muitos produtos de segunda mão.
A companhia argumenta ainda que tributar itens usados não teria impacto sobre fabricantes brasileiros, uma vez que esses produtos já foram comercializados anteriormente e não geram novas receitas às indústrias.
Consulta reuniu centenas de manifestações
Ao todo, o governo dos Estados Unidos recebeu 365 manifestações de empresas, associações e cidadãos durante a consulta pública sobre a política tarifária envolvendo produtos importados.
Os comentários servirão de subsídio para a análise das autoridades americanas antes da definição sobre a eventual aplicação de novas tarifas para produtos brasileiros.






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