Coaf aponta pagamento da J&F à empresa de filho de Lira

Relatório classifica repasse de R$ 250 mil como atípico; defesa afirma que valores são por serviços prestados com nota fiscal

Uma empresa criada recentemente pelo filho do deputado federal Arthur Lira (PP-AL) recebeu R$ 250 mil da J&F pouco tempo após sua abertura. O repasse foi classificado como “atípico” em relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras, obtido pelo jornal O Estado de S. Paulo.

Segundo o documento, um dos fatores que motivaram o alerta é a ausência de compatibilidade entre a atividade econômica da empresa beneficiada e as operações do grupo empresarial. Procurada, a assessoria de Lira afirmou que o filho, Arthur Cesar Pereira de Lira Filho, atua há anos no setor de publicidade e marketing e presta serviços a diversos clientes corporativos.

A J&F, por sua vez, declarou que todos os pagamentos realizados correspondem a serviços efetivamente prestados, com emissão de nota fiscal e recolhimento dos tributos devidos.

De acordo com dados da Receita Federal, a empresa — Archon S/A — foi aberta em maio de 2025 com capital social de R$ 100 mil. O Coaf aponta que os repasses ocorreram entre fevereiro e outubro do mesmo ano, logo após a constituição do negócio.

O relatório também destaca que o empresário tem 26 anos e residência registrada em Maceió. A assessoria de Lira, no entanto, afirma que ele vive em Brasília há cerca de dez anos e atua no mercado publicitário há mais de cinco.

Antes da abertura da nova empresa, Lira Filho já mantinha outro negócio no setor de publicidade, que chegou a prospectar contratos com estatais durante o governo de Jair Bolsonaro. A nova companhia tem como atividade principal a atuação como correspondente de instituições financeiras, além de incluir serviços de consultoria em marketing e publicidade entre suas atividades secundárias.

O deputado Arthur Lira mantém relação antiga com integrantes do grupo J&F. Em 2022, por exemplo, participou de um leilão no qual vendeu gado a um executivo ligado à empresa.

O relatório do Coaf também cita outros repasses considerados atípicos envolvendo a J&F, incluindo pagamentos a empresas relacionadas a autoridades públicas e a contratos sob investigação. Em nota, o grupo afirmou que eventuais vazamentos de informações bancárias devem ser apurados pelas autoridades competentes e reiterou que mantém auditorias independentes para garantir a regularidade de suas operações.

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