Em clubes de tiro espalhados pelo país, apoiadores do presidente Jair Bolsonaro (PL) estão solicitando o uso de uma imagem do ex-presidente Lula (PT) como alvo.
No cartaz, em preto e branco, o petista aparece com as marcações de um alvo apontando uma arma contra a cabeça de um refém. Alguns estabelecimentos já aderiram ao uso da imagem, por iniciativa própria ou por pressão dos clientes bolsonaristas.
O próprio Bolsonaro tem estimulado este comportamento. Em fevereiro, ele participou de um treinamento de tiro ao alvo e apontou para a cor vermelha. “É muita vontade de dar liberdade para esse povo e acabar com o comunismo”, relatou. Na sequência, completou: “No voto, e não no tiro”.
No governo Bolsonaro, o número de armas registradas cresceu 300%.
Em 2014, em plena campanha eleitoral que acabou reelegendo Dilma Rousseff, gente desqualificada mandou imprimir imagens da presidenta, de pernas abertas, para colar nos tanques de seus carros, de tal forma que, ao colocar combustíveis, estabelecia-se uma sugestão de estupro.
O absurdo foi tratado como brincadeira até mesmo pela imprensa. A mesma imprensa tradicional que achou graça quando um coro, puxado na área VIP do estádio construido para a Copa do Mundo, em São Paulo, xingou Dilma com palavras de baixo calão.
Concebia-se ali, nestas e em outras atitudes violentas e agressivas, o ovo da serpente que gerou o descalabro moral e civilizatório que o Brasil vive hoje.
A brutalidade simbólica é filha dileta da brutalidade real.






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