O tom cordial adotado pelo governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), em relação ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), durante a inauguração do canal SBT News, na noite de sexta-feira (12), passou a ser usado como munição por um segmento do bolsonarismo.
A reação ocorre em meio à disputa sobre quem deve liderar a direita na eleição presidencial de 2026. Enquanto partidos e setores antipetistas moderados veem Tarcísio como nome viável, alas mais ideológicas preferem o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
Aplauso a Moraes gera críticas
Um dos trechos mais explorados nas redes, segundo a coluna Sonar, em O Globo, mostra Tarcísio aplaudindo, ainda que de forma discreta, um momento do discurso de Alexandre de Moraes. O ministro comentava a retirada das sanções da chamada Lei Magnitsky pelo governo dos Estados Unidos, medida que havia sido articulada pelo deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) como forma de pressionar o STF.
— A verdade venceu hoje. Eu acreditava que, quando isso chegasse às autoridades norte-americanas, a verdade prevaleceria — afirmou Moraes no evento.
Conversa informal com Lula repercute
Outro episódio que gerou comentários foi a conversa descontraída entre Lula e Tarcísio na chegada à cerimônia. Após falarem sobre a crise de falta de energia em São Paulo, o presidente abraçou o governador e comentou que ele havia emagrecido, perguntando a que horas acordava para se exercitar. Os dois riram.
Ataques e reação lulista
As críticas partiram sobretudo de perfis mais radicais, como o blogueiro Allan dos Santos, investigado no inquérito das fake news e atualmente foragido, que ironizou a postura do governador nas redes sociais.
“Depois eu sou o implicante”, escreveu Allan no X, com uma foto antiga, de fevereiro deste ano. Nela, Tarcísio cumprimenta Lula no evento de anúncio das obras do túnel submerso entre Santos e Guarujá.
Em sentido oposto, perfis simpáticos a Lula destacaram o clima institucional e criticaram a aversão do bolsonarismo à cordialidade entre adversários. Para esses grupos, a convivência política vista no evento remete a práticas anteriores à ascensão de Jair Bolsonaro, marcada por maior confronto.





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